O advogado Mark Lanier, que representa uma mulher da Califórnia que processa o Instagram e o YouTube, pressionou Zuckerberg sobre suas declarações feitas ao Congresso em 2024, onde afirmou que não haveria usuários menores de 13 anos em suas plataformas. Lanier usou documentos internos da Meta para evidenciar que a busca por alcançar esse público é uma estratégia bem considerada dentro da empresa.
O caso gira em torno da experiência de uma mulher que utilizou Instagram e YouTube desde a infância e alega que esses serviços contribuíram negativamente para sua saúde mental, alimentando sentimentos de depressão e pensamentos suicidas. Ela busca responsabilizar as empresas, afirmando que elas lucram com o vício de crianças em suas plataformas. A Meta e o Google, que também está no meio da disputa, negam as alegações, ressaltando seus esforços em implementar recursos de segurança.
Zuckerberg afirmou que, ao longo dos anos, a Meta tentou desenvolver versões seguras de suas plataformas para crianças, inclusive considerando uma versão do Instagram voltada para esse público, mas essa ideia não foi concretizada. A presença de concorrentes como Snap e TikTok, que já chegaram a acordos com a autora da ação antes do início do julgamento, ilustra ainda mais a pressão crescente por rapidez nas respostas das grandes empresas de tecnologia.
O julgamento acontece em um contexto mais amplo de crescente escrutínio sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens usuários. Este é apenas um entre milhares de processos que estão sendo movidos nos EUA, onde famílias e escolas acusam as empresas de contribuírem para uma crise de saúde mental. Perspectivas futuras para as grandes empresas de tecnologia podem estar em risco, especialmente se um veredicto desfavorável surgir desse e de outros casos semelhantes.
Zuckerberg também foi questionado sobre suas declarações em 2021, quando afirmou que não havia instruído suas equipes a maximizar o tempo que os usuários passam no aplicativo. E-mails de anos anteriores sugerem o contrário, evidenciando que, enquanto as metas de engajamento mudaram, as intenções da empresa nem sempre foram transparentes.
Com o depósito de documentos internos que revelam preocupações sobre o impacto nocivo do Instagram na autopercepção de adolescentes, a discussão tem se tornado cada vez mais volátil. Em meio a esse cenário, o desejo de mudanças significativas na forma como as redes sociais operam torna-se uma expectativa crescente entre aqueles que buscam justiça e a preservação da saúde mental de jovens usuários.







