Os preparativos para a visita foram detalhados pela secretária de América Latina e Caribe, Gisela Padovan, durante uma coletiva no Itamaraty. Lula deve chegar ao Panamá na terça-feira, 27, previsto para o final da tarde. Na quarta-feira, sob os holofotes do fórum, ele fará sua apresentação em um painel ao lado de outros presidentes. Como convidado de honra, sua fala ocorrerá logo após o discurso do presidente anfitrião, José Raúl Mulino.
Na mesma quarta-feira, está programada uma visita a uma das eclusas do famoso Canal do Panamá para uma fotografia oficial do evento. Em seguida, Lula tem uma reunião bilateral proposta com Mulino, que ainda não foi formalmente confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores. O dia terminará com um almoço entre os chefes de Estado participantes, antes do retorno à Brasília no início da tarde.
Esperam-se diversos encontros bilaterais, abrangendo líderes de diferentes orientações políticas. Gisela Padovan destacou a importância do diálogo com presidentes de todas as correntes ideológicas, enfatizando que as relações históricas entre os países são mais relevantes do que as disputas momentâneas. Entre os líderes que já confirmaram presença estão representantes de países como Equador, Guatemala, Bolívia e Chile, além do primeiro-ministro da Jamaica.
No que concerne aos temas do fórum, os tópicos incluem o papel econômico da região, infraestrutura, desenvolvimento, inteligência artificial, comércio regional, energia e segurança alimentar. A questão da segurança, incluindo combates ao crime organizado, se destaca como um dos principais pontos de discussão. A diplomata brasileira prevê a contribuição significativa do Brasil, com ênfase nos avanços da administração penitenciária.
Além disso, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, deverá tratar de assuntos que incluem facilitação de investimentos entre Brasil e Panamá, além de medidas que agilizem a circulação de capital. A expectativa é que novos acordos impulsionem a atual relação, que já conta com um substancial investimento brasileiro no Panamá.
Ressaltou-se que o Brasil ocupa a posição de 15º maior país usuárico do Canal do Panamá, com um volume significativo de produtos exportados. Quanto à geopolítica da região, o Brasil adota uma postura de neutralidade em relação à disputa entre Estados Unidos e China por influência no canal panamenho.
Por fim, Gisela Padovan mencionou que o Panamá é o primeiro país da América Central a se associar ao Mercosul, refletindo um estreitamento nas relações comerciais. As interações entre os dois países, que já evidenciam um aumento expressivo nas trocas comerciais, prometem gerar novos desdobramentos e parcerias, com destaque para a recente aquisição de aeronaves Super Tucano pela força aérea panamenha.
