Em uma recente conversa telefônica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o apoio do líder chinês, Xi Jinping, em um momento de tensão geopolítica. Xi enfatizou que a China está disposta a apoiar o Brasil, a maior economia da América Latina e uma referência do Sul Global, e destacou a necessidade de manter um papel ativo das Nações Unidas em meio a um cenário internacional conturbado. Esta troca de mensagens ocorreu após Lula ter expressado publicamente críticas à atuação militar dos Estados Unidos na Venezuela, em um artigo publicado no New York Times.
Na conversa, Xi Jinping reiterou a importância de os dois países trabalharem juntos para salvaguardar os interesses do Sul Global e reforçarem a relevância da ONU. Esse diálogo se mostrou particularmente relevante enfrentando a recente prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por autoridades americanas, fato que agravou a instabilidade política na Venezuela e suscitou preocupações em toda a América Latina sobre a possibilidade de intervenções externas.
O impacto das ações dos Estados Unidos na Venezuela não passou despercebido, provocando reações adversas em diversos países da região. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também levantou vozes de alerta sobre a possibilidade de que tais intervenções comprometam os princípios fundamentais da igualdade entre nações. Em sua declaração, Guterres criticou a aparente impunidade com que os Estados Unidos atuam, colocando em risco a segurança e a soberania dos Estados-membros da ONU.
Na reflexão de Lula, a completa autodeterminação dos países deve ser respeitada, e a América do Sul, pela primeira vez, enfrenta um ataque militar direto dos EUA, um cenário que remete a tempos antigos de intervenção militar. Ele argumentou que um mundo governado pela hostilidade não é sustentável e que as potências globais devem buscar estratégias que não se baseiem em medo ou coercitividade.
Além das tensões na Venezuela, as relações entre os EUA e seus aliados também foram abaladas por declarações pregressas do ex-presidente Donald Trump em relação à Groenlândia. A influência da China na América Latina está em ascensão, com Xi prometendo fortalecer as relações por meio de novos investimentos e linhas de crédito, alinhando projetos estratégicos, como a iniciativa do Cinturão e Rota com as necessidades brasileiras em áreas como agricultura e infraestrutura.
O forte apoio da China ao Brasil, expresso por Xi, busca não apenas consolidar laços históricos, mas também sinaliza um movimento estratégico no contexto das relações internacionais, onde o Sul Global passa a ter maior protagonismo.






