Durante a cúpula, o discurso de Lula, lido pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira, enfatizou que a América Latina possui a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, além de terras raras que são cruciais para a produção de tecnologias modernas, como chips e baterias. Com essa riqueza mineral, o presidente defendeu um maior envolvimento dos países latino-americanos em todas as fases do processo produtivo, desde a extração até a reciclagem.
O presidente Lula também ressaltou a necessidade de intensificar a integração regional, uma estratégia essencial em tempos de incerteza política e geopolítica. Ele alertou que a falta de articulação entre as nações latino-americanas pode aumentar sua vulnerabilidade a pressões externas, dificultando a capacidade de responder a desafios comuns. Em um tom assertivo, Lula disse que “a América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, reforçando a ideia de que a união é vital para enfrentar as crises econômicas e geopolíticas.
Além de promover a integração comercial e produtiva, Lula destacou a importância do fortalecimento de projetos regionais, como o Mercosul, como um meio de ampliar a soberania e o desenvolvimento. Ele também fez menção à necessidade de um diálogo contínuo com outras potências, como China e a União Europeia, ressaltando o potencial ainda não plenamente reconhecido pela própria região.
A infraestrutura também foi um ponto levantado pelo presidente. Lula defendeu a interligação das redes elétricas entre os países latino-americanos e a criação de rotas de transporte eficientes que conectem o Atlântico ao Pacífico. Esse tipo de integração, segundo ele, seria vital para garantir a circulação de produtos e a mobilidade da população, especialmente em tempos de atual instabilidade global.
Por fim, Lula tocou na questão do combate ao crime organizado, que tende a prosperar em regiões desarticuladas. Ele defendeu uma parceria entre os países latino-americanos para desmantelar redes criminosas, combatendo também os problemas relacionados à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. Para isso, o presidente mencionou a criação do Projeto de Lei Antifacção no Brasil, que visa fortalecer as investigações e os mecanismos de responsabilização das organizações criminosas. Em um discurso que refletiu a urgência de uma colaboração mais profunda entre os países da América Latina, Lula reafirmou que as ações coordenadas são cruciais para garantir a segurança e o desenvolvimento na região.







