INTERNACIONAL – Lula critica inação e falta de ambição na COP28 e pede compromisso global para conter mudanças climáticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) em Dubai nesta sexta-feira e fez um discurso impactante diante dos chefes de Estado e de governo presentes. Ele alertou que o mundo pode estar enfrentando o maior desafio já encarado pela humanidade, referindo-se às mudanças climáticas.

O líder brasileiro criticou os conflitos globais, especialmente os que ocorrem no Oriente Médio, apontando que o mundo deveria unir forças para combater questões como as mudanças climáticas, em vez de travar guerras e aprofundar as desigualdades. Ele também ressaltou a importância do recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que alerta para o perigo do aumento da temperatura global superar 1,5 graus Celsius.

Lula salientou a necessidade de mais ações e ambição por parte dos países. Ele apontou que as atuais Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) não estão sendo implementadas na velocidade necessária para conter o aquecimento global de forma segura. O Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões em 48% até 2025, além de estabelecer a meta de zerar o desmatamento na Amazônia até 2030.

O presidente enfatizou que muitos países, especialmente os do sul global, enfrentam dificuldades para implementar suas NDCs e assumir metas mais ambiciosas. Ele defendeu o princípio das responsabilidades comuns e diferenciadas, que considera essencial para garantir a justiça climática. Além disso, Lula criticou a falta de concretização do compromisso dos países desenvolvidos de fornecer US$ 100 bilhões por ano para conter os efeitos das mudanças climáticas, diante dos gastos militares que continuam crescendo.

O presidente também chamou a atenção para a situação crítica da Amazônia, que enfrenta uma seca sem precedentes e corre o risco de atingir um ponto de não retorno caso outros países não façam sua parte. Ele propôs a missão 1.5, uma iniciativa coletiva para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5 graus Celsius. Lula enfatizou a importância de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em setores como energia, indústria e transporte.

Para o futuro, ele propôs que os esforços sejam redobrados para implementar as NDCs nos próximos dois anos e apelou para que os países anunciem metas mais ambiciosas em Belém. O presidente alertou que a vida no planeta estará em perigo se as diferenças não forem superadas em nome do bem maior, enfatizando que é necessário agir rapidamente para evitar consequências irreversíveis.

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