A crise econômica no Irã é alarmante. Desde 2025, a moeda nacional, o rial, sofreu uma desvalorização de quase 50% em relação ao dólar. A inflação atingiu 42,5% em dezembro, exacerbada por uma combinação de sanções internacionais, especialmente por parte dos Estados Unidos, e a ameaça recorrente de ataques israelenses. Com a insatisfação da população crescendo, o governo iraniano respondeu com força extrema, resultando em um alto número de fatalidades; organizações não governamentais estimam que pelo menos 600 pessoas perderam a vida até o momento.
Em sua nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil expressou condolências pelas mortes e reafirmou a importância da soberania do povo iraniano para decidir seu próprio futuro. A nota enfatiza a necessidade de um diálogo pacífico e construtivo, sublinhando que somente os iranianos têm o direito de determinar o caminho de seu país.
Até o presente momento, não há relatos de brasileiros entre os mortos ou feridos nas manifestações. A embaixada brasileira em Teerã continua operando para oferecer suporte à comunidade brasileira no Irã.
As autoridades iranianas, por sua vez, atribuíram os protestos a supostas intervenções estrangeiras, especialmente dos EUA e de Israel, e ameaçaram retaliar, levando a um clima de tensão crescente no cenário internacional. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que distúrbios que ocorrem estão sendo provocados por “terroristas” do exterior, utilizando essa justificativa para possíveis ações contra bases dos EUA na região.
É importante notar que também há repercussões econômicas potenciais para o Brasil. Recentemente, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. Tal medida levanta preocupações sobre impactos no comércio brasileiro, especialmente em setores como o agronegócio, que são grandes beneficiários das relações comerciais com o Irã. Enquanto o Brasil movimentou quase US$ 3 bilhões em comércio com o Irã em 2025, representando uma parcela modesta de 0,84% de suas exportações totais, a situação atual exige cautela e atenção do governo federal brasileiro.
