Forner observa que a aproximação dos Estados Unidos com governos de orientação extrema-direita é uma constante na política externa de Trump. Ao mesmo tempo, ela identifica uma ofensiva deliberada contra regimes que se opõem a essas ideologias, evidenciando uma clara tentativa de desestabilização. A professora destaca que essa articulação entre redes transnacionais de extrema-direita tem como objetivo fortalecer esses movimentos em detrimento de governos e instituições de oposição na região.
Além disso, essa escalada de tensões reforça a imagem dos Estados Unidos como um agente de instabilidade, que pode piorar as condições internas na Venezuela. A professora argumenta que uma intervenção militar, como a que foi sugerida por Trump em uma recente coletiva de imprensa, não resolveria a crise, mas, ao contrário, poderia perpetuar um ciclo de conflito.
Forner também critica a estratégia do governo Trump, que utiliza a instabilidade como uma ferramenta para legitimar ações que muitas vezes desafiam a legalidade. Ela menciona o caso do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa como um exemplo de como ações que violam normas internacionais são justificadas sob o pretexto de combate ao crime e à crise humanitária.
Esse clima de instabilidade deixa a porta aberta para futuras intervenções dos EUA na América Latina, o que pode intensificar a insegurança na região. A professora ressalta que, em sua declaração, Trump deixou implícito que a Venezuela pode não ser o único alvo, sugerindo possíveis novas ações em outros países latino-americanos.
Em um contexto histórico, a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo capítulo em suas políticas de intervenção na América Latina. O último episódio significativo ocorreu em 1989, quando os militares norte-americanos invadiram o Panamá, fazendo a captura do então presidente Manuel Noriega sob acusações de narcotráfico. Da mesma forma, o governo Trump tem acusado Maduro de liderar um suposto cartel de narcotráfico sem a apresentação de evidências concretas, o que gera ceticismo entre especialistas.
Críticos apontam que, além de questões de segurança, essas ações também visam afastar a Venezuela de aliados estratégicos como China e Rússia, além de facilitar o controle sobre as vastas reservas de petróleo do país, que possuem uma das maiores concentrações mundiais. Essa dinâmica revela a complexidade das relações internacionais na região, onde interesses geopolíticos e econômicos se entrelaçam com crises políticas.







