INTERNACIONAL – EUA abandonam acordos climáticos globais e podem enfrentar consequências econômicas e ambientais devastadoras, alerta secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell.

A decisão dos Estados Unidos de se retirar de uma série de organismos multilaterais, com destaque para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF), levanta sérias preocupações não apenas sobre o impacto global, mas, principalmente, sobre as consequências devastadoras que essa escolha poderá ter para os próprios cidadãos norte-americanos.

A afirmação é de Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, que descreveu a saída como um “gol contra colossal”. Os Estados Unidos desempenharam um papel essencial na criação da UNFCCC e do Acordo de Paris, ambos considerados vitais para a segurança e prosperidade do país. Stiell ressaltou que, enquanto o mundo avança na luta contra as mudanças climáticas, a decisão de se desconectar de acordos e fóruns internacionais somente aumentará os desafios enfrentados pela economia americana, especialmente em um momento em que desastres naturais como incêndios florestais, enchentes e secas se tornam cada vez mais frequentes e severos.

Além disso, a consequência direta dessa retirada pode se traduzir em um aumento nos custos de energia, alimentos e transporte para as famílias e empresas nos Estados Unidos. A competitividade das energias renováveis tem sido crescente, tornando-se uma alternativa mais barata em comparação aos combustíveis fósseis. Contudo, a decisão pode resultar em uma maior instabilidade nos preços dos combustíveis fósseis, afetando a economia e potencialmente levando a conflitos e migrações forçadas.

Organizações como o Instituto Talanoa, que atua na discussão sobre o clima, apontam que essa decisão representa um retrocesso na credibilidade dos Estados Unidos no cenário mundial, enfatizando o perigo de que outros países sigam o mesmo caminho. A pressão agora recai sobre nações dispostas a tomar a liderança nessa crise, já que o regime multilateral ainda se mantém ativo, embora enfrentando riscos de diminuição no financiamento climático.

Para justificar a saída do GCF, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, criticou a organização, rotulando-a de “radical” e alegando que os objetivos do fundo são incompatíveis com as prioridades do governo de Donald Trump. Em meio a essa fratura nas relações internacionais e nos esforços colaborativos para enfrentar a crise climática, o futuro das iniciativas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas permanece incerto, exigindo uma reação rápida e coletiva das nações comprometidas com um futuro sustentável.

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