De acordo com O’Connell, o ataque, que foi realizado sem justificativa legal aparente e resultou em mortes e destruição entre a população venezuelana, representa uma grave violação das normas internacionais. A professora enfatiza que a função primária do Estado de Direito é oferecer alternativas à violência, um princípio que, se ignorado, poderá fragilizar as estruturas globais de paz e harmonia. Ela argumenta que a ação militar não só representa um desrespeito às legislações internacionais, mas também poderá perpetuar a instabilidade política na Venezuela.
Além de criticar a decisão de Trump, O’Connell destacou que, mesmo com a remoção de Nicolas Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez deverá assumir o controle do país, o que pode não significar uma mudança significativa na governança. Para a especialista, essa situação não simboliza um triunfo claro da democracia, mas sim um grave desprezo pelo Estado de Direito.
Os ataques têm como pano de fundo a história de intervenções militares dos Estados Unidos na América Latina, relembrando dados históricos como a invasão do Panamá em 1989. Essa nova ofensiva tem gerado vasta controvérsia, em especial pela alegação de que Maduro lideraria um cartel de narcotráfico, a qual não foi substanciada com evidências suficientes. Essa narrativa se torna ainda mais complexa ao considerar a recompensa oferecida pelo governo Trump por informações sobre Maduro, sugerindo uma motivação geopolítica que vai além do combate ao narcotráfico.
Para O’Connell, os países que respeitam as leis internacionais são os que, historicamente, obtêm sucesso e tornam-se líderes globais. Assim, ela acredita que a abordagem de Trump, embora motivada por preocupações legítimas relacionados ao tráfico de drogas, está destinada a falhar se não estiver alinhada com o respeito pelo Estado de Direito. O desafio, portanto, permanece: como lidar com questões críticas sem comprometer princípios fundamentais que sustentam a ordem mundial?







