O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a situação durante uma cúpula climática, dizendo que a humanidade abriu as portas do inferno ao aquecer o planeta e criticando a ganância dos interesses dos combustíveis fósseis. No entanto, países produtores e dependentes desses combustíveis argumentam que é possível reduzir as emissões por meio de tecnologias de captura, em vez de acabar completamente com seu uso.
O presidente da COP28 dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, afirmou que a redução gradual dos combustíveis fósseis é inevitável, mas enfatizou a importância de descarbonizar as energias usadas atualmente. A China, maior consumidor desses combustíveis, planeja continuar a utilizá-los por décadas, enquanto os Estados Unidos apoiam a eliminação gradual, mas questionam a viabilidade das tecnologias de captura de emissões.
Embora um pacto para reduzir o uso de combustíveis fósseis não signifique um abandono imediato do petróleo e do gás, a União Europeia e outros defensores argumentam que ele é fundamental para orientar políticas e investimentos nacionais em direção a energias mais limpas.
No entanto, as divergências entre os países na COP27 do ano passado impediram um acordo sobre a redução gradual. O uso do termo “unabated” (sem abatimento) após “combustíveis fósseis” gerou controvérsia, já que alguns interpretaram como uma brecha para continuar explorando esses combustíveis. A questão da eliminação gradual de todos os combustíveis fósseis ou apenas das emissões será um dos principais desafios da COP28.
Enquanto isso, grupos do setor de petróleo e gás defendem a necessidade de tecnologias que forneçam mais energia com menos emissões. Além disso, a União Africana acusou o Ocidente de hipocrisia por negar financiamento a projetos de combustível em países em desenvolvimento, enquanto continuam a queimar combustíveis em seus próprios países.
A Aliança de Pequenos Estados Insulares, que enfrenta os impactos do clima, pressiona pela eliminação gradual dos combustíveis fósseis e o fim dos subsídios governamentais anuais de US$ 7 trilhões para esses combustíveis.
Neste cenário, a COP28 se aproxima sem um consenso entre os países, evidenciando as dificuldades em alcançar um acordo sobre a redução dos combustíveis fósseis. A pressão para agir contra as mudanças climáticas continua aumentando, mas é necessário encontrar um equilíbrio entre a necessidade de reduzir as emissões e a dependência desses combustíveis para assegurar a transição para energias mais limpas.







