O professor Maicon Cláudio da Silva, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, considera estas iniciativas como medidas necessárias, mas quase resignadas, que buscam vitalizar a economia cubana. Ele ressalta que a flexibilização dos investimentos estrangeiros e das importações surge em um momento crítico, no qual a economia cubana enfrenta a crise severa na sua principal fonte de receitas — o turismo e os serviços médicos.
A situação atual em Cuba é ainda mais complexa, pois o bloqueio americano não só restringe as relações comerciais com os EUA, mas afeta também as interações comerciais com outros países. O professor da Silva explica que o controle econômico exercido pelos EUA sobre o sistema financeiro global torna extremamente desafiador para Cuba estabelecer relações comerciais benéficas. Com a recente intensificação do bloqueio durante o governo Trump, várias companhias, incluindo grandes cadeias hoteleiras e operadoras aéreas, encerraram suas operações na ilha, resultando em um isolamento ainda mais profundo.
Embora o governo cubano busque implementar reformas que abranjam desde a política fiscal até a liberalização econômica, o professor argumenta que a real transformação do sistema econômico da ilha em um modelo similar ao do capitalismo é inviável sob as condições atuais. A dificuldade de formação de uma burguesia local, devido à limitação do acúmulo de riqueza imposta pelo bloqueio, evidencia o quão distante Cuba está de uma transição bem-sucedida para um sistema mais econômico livre.
Cuba possui um desafio adicional em comparação a outras nações, como a China, que conseguiram se desenvolver economicamente mesmo sob políticas socialistas. O professor destaca que a ausência de um relacionamento comercial saudável com os EUA limita as perspectivas de Cuba, tornando difícil replicar o modelo chinês de “socialismo de mercado”. O futuro da economia cubana, portanto, depende de reformas significativas que aumentem o investimento estrangeiro e a autonomia das empresas estatais, ao mesmo tempo em que busca uma descentralização política.
Ainda assim, o bloqueio econômico, que já perdura por quase 70 anos, tem se endurecido nos últimos anos. O governo americano impôs novas sanções, especialmente no que tange ao fornecimento de petróleo, causando sérios problemas de abastecimento e contribuindo para a elevação dos preços de bens essenciais e um sistema de transporte público em colapso. Essa pressão externa intensifica a crise interna, fazendo com que muitos cidadãos considerem este o pior momento na história recente do país.





