Segundo Ronaldo Carmona, pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a situação na Geórgia repete o que ocorreu na Ucrânia em 2014, com manifestações que resultaram na deposição do governo pró-Moscou. O embate entre os dois polos de poder, representados por Moscou e Bruxelas, evidencia a disputa pelo controle do país. A sociedade georgiana encontra-se dividida entre aqueles que apoiam a aproximação com a Rússia e os que preferem fortalecer laços com a UE.
Os protestos intensificaram-se no fim de semana, levando o Departamento de Estado dos Estados Unidos a suspender a parceria estratégica com a Geórgia e criticar a repressão do governo às manifestações. O comunicado destacou o uso excessivo da força pela polícia contra os cidadãos georgianos que exerciam seu direito de protestar pacificamente.
A crise política na Geórgia intensificou-se após a eleição de outubro deste ano, que resultou na vitória do partido Sonho Georgiano, próximo da Rússia. A oposição denunciou fraudes eleitorais, mas o governo rejeitou as demandas por novas eleições. O cenário político atual lembra os acontecimentos na Ucrânia em 2014, quando protestos levaram à deposição do governo pró-Moscou e à anexação da Crimeia pela Rússia.
A tentativa da Ucrânia de aderir à OTAN foi vista como uma provocação pelo Kremlin, levando à invasão do país em 2022. A situação na Geórgia, cercada por grandes potências, reflete as complexas relações políticas na região. Neste contexto, a luta pelo controle do país entre forças pró-Rússia e pró-UE eleva as tensões e sugere um cenário de instabilidade política em um país estrategicamente localizado e disputado por potências internacionais.
