INTERNACIONAL – Crise na Georgia: Protestos contra adiamento de negociações com a UE evidenciam divisão geopolítica e tensões semelhantes à Ucrânia.

A Geórgia viveu um domingo marcado por intensos protestos contra a decisão do governo de adiar as negociações para ingressar na União Europeia. Essa crise política, que já dura quatro noites seguidas, traz à tona tensões geopolíticas semelhantes às que levaram a confrontos entre Ucrânia e Rússia. Especialistas apontam que o pequeno país do Leste Europeu, com uma população de cerca de 3,7 milhões de habitantes e fronteira com a Rússia, está dividido entre forças próximas de Moscou e da União Europeia.

Segundo Ronaldo Carmona, pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a situação na Geórgia repete o que ocorreu na Ucrânia em 2014, com manifestações que resultaram na deposição do governo pró-Moscou. O embate entre os dois polos de poder, representados por Moscou e Bruxelas, evidencia a disputa pelo controle do país. A sociedade georgiana encontra-se dividida entre aqueles que apoiam a aproximação com a Rússia e os que preferem fortalecer laços com a UE.

Os protestos intensificaram-se no fim de semana, levando o Departamento de Estado dos Estados Unidos a suspender a parceria estratégica com a Geórgia e criticar a repressão do governo às manifestações. O comunicado destacou o uso excessivo da força pela polícia contra os cidadãos georgianos que exerciam seu direito de protestar pacificamente.

A crise política na Geórgia intensificou-se após a eleição de outubro deste ano, que resultou na vitória do partido Sonho Georgiano, próximo da Rússia. A oposição denunciou fraudes eleitorais, mas o governo rejeitou as demandas por novas eleições. O cenário político atual lembra os acontecimentos na Ucrânia em 2014, quando protestos levaram à deposição do governo pró-Moscou e à anexação da Crimeia pela Rússia.

A tentativa da Ucrânia de aderir à OTAN foi vista como uma provocação pelo Kremlin, levando à invasão do país em 2022. A situação na Geórgia, cercada por grandes potências, reflete as complexas relações políticas na região. Neste contexto, a luta pelo controle do país entre forças pró-Rússia e pró-UE eleva as tensões e sugere um cenário de instabilidade política em um país estrategicamente localizado e disputado por potências internacionais.

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