Transição Política no Haiti: Encerramento do Conselho Presidencial de Transição e a Pressão Internacional
Neste sábado (7), o Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti finalizou seu mandato de dois anos, em um cenário político tenso e marcado pela ameaça de intervenção dos Estados Unidos. A atitude de Washington ocorreu após preocupações cautelosas com a possibilidade de um vácuo de poder no país, que já se encontra fragilizado pela violência e pelo domínio de gangues.
Durante uma cerimônia em Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, enfatizou que o encerramento de suas funções não deixará o Haiti em um estado desamparado. “O Conselho dos Ministros, sob a direção do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, garantirá a continuidade”, declarou. Saint-Cyr destacou que objetivos fundamentais, como segurança e estabilidade política, permanecem no centro da agenda do governo.
O CPT assumiu o poder em abril de 2022, após a renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry, que ocupava o cargo desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021. Com eleições gerais pendentes desde 2016, a missão inicial do CPT era traçar um caminho rumo a um processo eleitoral e combater o crescimento das gangues que dominam várias áreas da capital.
Contudo, nas últimas semanas, o CPT discutiu a possibilidade de destituir o primeiro-ministro, o que gerou constrangimentos e a intervenção militar preventiva dos EUA, que enviou três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe. Em comunicado oficial, a embaixada americana reafirmou seu compromisso em garantir a estabilidade da região, reforçando que qualquer tentativa do CPT de alterar o governo poderia resultar em resposta contundente.
A situação de segurança no Haiti ainda é precária. O professor Ricardo Seitenfus, especialista em relações internacionais, ressaltou que houve tentativas de golpe para destituir Fils-Aimé, evidenciando as complexidades políticas da região. Apesar disso, o professor observou uma melhora na segurança, com a recuperação de algumas áreas anteriormente dominadas por gangues. Para ele, a urgência das eleições não pode ser subestimada: “As eleições são essenciais para qualquer solução duradoura,” concluiu.
Desde o assassinato de Moïse, várias iniciativas têm sido implementadas para restaurar a ordem no Haiti, incluindo acordos de cooperação com forças internacionais de segurança, como a missão liderada pelo Quênia. Este esforço é crucial, já que o governo haitiano luta para retomar o controle de um território cada vez mais desafiado pela violência. A processo eleitoral permanece como uma das soluções mais esperadas e necessárias para estabilizar o país.







