INTERNACIONAL – Corte Italiana autoriza extradição de Carla Zambelli; defesa recorre e caso pode se estender na Justiça italiana.

Em uma decisão recente, a Corte de Apelação da Itália autorizou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, conforme confirmado pela Embaixada do Brasil em Roma. Este desdobramento ocorre após Zambelli ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro a dez anos de prisão, em razão de sua participação como autora intelectual na invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em janeiro de 2023. A ação resultou na falsificação de um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, sendo o ataque cibernético executado por Walter Delgatti, que assumiu ter agido sob as ordens da ex-parlamentar.

Após sua condenação, Zambelli deixou o Brasil em junho do ano passado, passando cerca de dois meses foragida antes de ser detida na Itália em julho, durante uma operação da Polícia Federal brasileira em colaboração com a Interpol. Com cidadania italiana, Zambelli tentou evitar a prisão resultante de um mandado emitido pela Justiça brasileira. Desde então, ela permanece presa na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma.

Os advogados de Zambelli solicitaram a transferência para prisão domiciliar, alegando problemas de saúde, mas o pedido foi negado pela Corte de Apelação. Em um segundo julgamento, a ex-deputada também foi condenada por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, relacionados a um episódio em que perseguiu um jornalista em São Paulo durante as eleições de 2022, resultando em mais cinco anos e três meses de pena.

Atualmente, a defesa de Zambelli anunciou que recorrerá da decisão sobre a extradição. O advogado Fábio Pagnozzi afirmou que, se o recurso for aceito, o processo poderá ser reiniciado, trazendo novos desdobramentos ao caso. Caso contrário, haverá a possibilidade de apelação junto à Corte Constitucional Superior italiana, tarefa que deve ser concluída em até 15 dias, tanto pela defesa quanto pelo Ministério Público.

A decisão final sobre a extradição cabe ao governo italiano, especificamente à primeira-ministra Georgia Meloni e ao ministro da Justiça Carlo Nordio, que podem optar por não seguir a recomendação judicial. Se o governo decidir não se pronunciar, Zambelli poderá ser liberada. A expectativa é que os próximos meses sejam marcados por delongas jurídicas, tornando a situação da ex-deputada cada vez mais complexa.

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