INTERNACIONAL – Cientistas Criam Painel para Transição Energética Global em Conferência na Colômbia e Buscam Acelerar a Descarbonização das Políticas Públicas.

Neste último sábado, um grupo significativo de cientistas de diversas disciplinas — incluindo climatologia, economia e tecnologia — anunciou a formação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET). A revelação ocorreu durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que está sendo realizada em Santa Marta, na Colômbia.

O principal objetivo deste painel é oferecer assessoria a governos em todo o mundo, visando a transição para uma matriz energética mais limpa. Além disso, o SPGET se propõe a produzir recomendações fundamentadas em evidências científicas, com a intenção de orientar a elaboração de políticas públicas e ações concretas que promovam a descarbonização das economias globais.

Durante o anúncio, figuras de destaque da ciência internacional marcaram presença, como o brasileiro Carlos Nobre, renomado por seus estudos sobre a Amazônia, e o sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático. Rockström enfatizou a complexidade da transição energética, que demanda um equilíbrio entre fatores econômicos, ambientais e de justiça social. Ele observou que a ciência pode servir como uma ponte para conectar países que estão avançando mais rapidamente na transição e aqueles que ainda se encontram hesitantes.

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, destacou a importância do painel como uma resposta a uma lacuna histórica, reconhecendo que essa nova iniciativa representa uma tentativa fundamental de enfrentar desafios sociais e econômicos associados à eliminação dos combustíveis fósseis.

O SPGET também pretende fortalecer a colaboração entre instituições acadêmicas e governos, contribuindo para a formulação de estratégias coordenadas que visem reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Entre as suas propostas estão a criação de diretrizes técnicas e o monitoramento de políticas públicas, além de uma integração com processos internacionais significativos, como a COP30, que será presidida pelo Brasil.

O coordenador do Observatório do Clima, Claudio Angelo, destacou a urgência de trazer a ciência de volta ao centro das decisões políticas relativas ao clima e ao meio ambiente. Apesar de essa ideia parecer óbvia, ele observa que, ao longo dos anos, tem havido uma tendência de subestimar a importância da fundamentação científica nesses debates cruciais.

A Conferência de Santa Marta reúne 57 países e cerca de 4.200 organizações, incluindo do setor privado, povos indígenas, o meio acadêmico e a sociedade civil. O encontro busca implementar medidas concretas para a redução da dependência de combustíveis fósseis, focando em eixos como transformação econômica, mudanças na oferta e demanda de energia e cooperação internacional.

Nos primeiros dias, de 24 a 27 de abril, as propostas que emergirem do evento serão consolidadas para direcionar a Cúpula de Líderes nos dias 28 e 29. A ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, que co-lidera a iniciativa com a Colômbia, ressaltou a capacidade coletiva deste grupo de transformar discussões em ações efetivas, especialmente considerando a volatilidade atual do mercado de combustíveis fósseis.

O ativista sul-africano Kumi Naidoo também expressou otimismo em relação à conferência, considerando-a uma oportunidade para estabelecer respostas concretas que, segundo ele, têm faltado nas reuniões anuais das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Para Naidoo, é imperativo que a comunidade internacional alcance acordos justos, ambiciosos e vinculativos, que garantam o progresso necessário na luta contra as mudanças climáticas.

Sair da versão mobile