“A nossa embaixada em Caracas está monitorando de perto não apenas os eventos em curso, mas também o bem-estar dos brasileiros que vivem e visitam o país. Até o momento, não temos registro de vítimas ou feridos entre nossa comunidade”, afirmou a ministra durante uma coletiva no Itamaraty.
Maria Laura substitui temporariamente o ministro Mauro Vieira, que, embora estivesse de férias, decidiu retornar a Brasília imediatamente para se inteirar da situação. A ministra participou de uma reunião de emergência coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também contou com a presença de outros ministros e representantes do governo, como os titulares das pastas de Justiça, Comunicação e Defesa.
José Múcio, ministro da Defesa, garantiu que a situação na fronteira permanece calma e aberta, incentivando os brasileiros que desejam retornar ao país a procurarem a embaixada brasileira para obter ajuda. “Ainda que tudo esteja tranquilo, as fronteiras estão abertas e não há restrições. Todo brasileiro que esteja lá pode voltar, e nossa equipe está à disposição para prestar suporte”, disse Múcio.
Quando questionada sobre quem o Brasil reconhece como líder da Venezuela nesse momento, Maria Laura declarou que a vice-presidente Delcy Rodríguez atua como presidente interina na ausência de Nicolás Maduro. A ministra também revelou que o Brasil estará presente em uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e no Conselho de Segurança da ONU, ambas destinadas a discutir a agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela.
Essa situação em Caracas representa uma nova fase nas intervenções diretas dos EUA na América Latina, evocando eventos históricos como a invasão do Panamá em 1989. O governo americano, sem apresentar evidências concretas, acusa Maduro de dirigir um suposto cartel de drogas, ao mesmo tempo em que anuncia recompensas por informações que levem à sua prisão.
Especialistas sugerem que a atual operação militar dos EUA pode estar atrelada a um objetivo geopolítico mais amplo, visando restrições sobre as relações da Venezuela com potências como China e Rússia, além de buscar maior controle sobre as imensas reservas de petróleo do país. Em uma declaração anterior, o presidente Lula condenou os ataques dos EUA, considerando-os uma violação do direito internacional e reafirmando sua posição em defesa da soberania dos Estados.
