INTERNACIONAL – Brasil lidera aliança sul-atlântica para a paz e sustentabilidade em meio a crescentes conflitos globais e receita de desafios econômicos.

Na última quinta-feira, 9 de novembro, o Brasil passou a presidir a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), uma aliança que inclui mais de 20 países, a maioria deles africanos. Com um enfoque em manter a região do Atlântico Sul livre de conflitos armados e disputas geopolíticas, a iniciativa também busca promover a sustentabilidade ambiental. A cerimônia que marcou essa transição ocorreu na Escola Naval, situada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

O evento contou com a presença do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que, ao abrir a reunião, destacou a importância de evitar a “importação” de rivalidades que não refletem as necessidades e os interesses das nações envolvidas. Em meio a um cenário global angustiante, caracterizado por conflitos em regiões como a Faixa de Gaza, Irã e Ucrânia, Vieira enfatizou que as vastas águas do Atlântico devem servir como um meio de união, e não de discórdia.

Em sua fala, o ministro ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está profundamente preocupado com o aumento dos conflitos no cenário internacional, que é o mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial. Vieira ainda destacou as consequências diretas dessas tensões, como o aumento dos preços de alimentos e energia, que afetam desproporcionalmente países em desenvolvimento.

A Zopacas é composta por 24 países, incluindo Brasil, Argentina e Uruguai, na América do Sul, e 21 nações da costa ocidental africana, desde o Senegal até a África do Sul, incluindo o arquipélago de Cabo Verde. Com essa presidência rotativa, a expectativa é que o Brasil, um dos idealizadores da Zopacas, reforce sua política externa voltada para a paz.

Entre os principais objetivos da aliança estão a criação de um Atlântico Sul livre de armas nucleares e de destruição em massa. A segurança marítima também é uma prioridade, com ênfase no combate ao tráfico de drogas, pirataria e à pesca ilegal.

A conservação ambiental é um tópico de destaque, com a intenção do Brasil em avançar na criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul na próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia. No mesmo encontro, será assinada uma convenção que visa proteger o meio ambiente marinho do Atlântico Sul, estabelecendo medidas preventivas e de controle.

O Brasil, com seu vasto litoral de aproximadamente 10,9 mil quilômetros, tem um papel de liderança na Zopacas, que foi criada em 1986 sob a égide das Nações Unidas. A cooperação entre os países membros abrange não apenas segurança, mas também iniciativas relacionadas a meio ambiente e desenvolvimento sustentável. A Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, desempenha um papel fundamental ao implementar projetos que visam combater a pobreza, promover a agricultura familiar e apoiar o desenvolvimento econômico, entre outras áreas. A embaixadora Luiza Lopes da Silva, da ABC, enfatizou que tais iniciativas são moldadas a partir das necessidades e prioridades dos países membros, garantindo que cada nação tenha autonomia em suas escolhas estratégicas.

Sair da versão mobile