Em um dos documentos apresentados no encontro, as potências ocidentais expressaram preocupações com o que consideram um “desequilíbrio” provocado pela economia chinesa. A análise das consequências dessa relação econômica foi um ponto alto das discussões, indicando que a China estaria gerando superávits significativos, o que afetaria a balança comercial de outros países, incluindo os Estados Unidos e os membros da União Europeia.
Lula argumentou que a visão ocidental sobre a China como uma ameaça não reflete a realidade para os países em desenvolvimento, que a veem como uma oportunidade. Ele enfatizou que a China é, atualmente, o principal investidor na África e na América Latina, superando a presença de investimentos de países europeus e norte-americanos, que, segundo ele, não têm se mostrado competidores efetivos nesse campo.
William Samoei Ruto também se manifestou em defesa da cooperação com a China, ressaltando que, para nações como a sua, é preferível ter Pequim como parceiro do que viver sem essa interação. Nos últimos 20 anos, muitos países africanos têm aproveitado o crescimento econômico da China, especialmente em projetos de infraestrutura e desenvolvimento industrial.
Além das discussões sobre a China, o documento recém-publicado no G7 também destaca a preocupação com desequilíbrios em setores específicos, como o comércio de terras raras e veículos elétricos, áreas em que a China detém uma posição de liderança. A análise crítica inclui também a desvalorização do renminbi, moeda chinesa, que supostamente favorece as exportações chinesas no cenário global.
Em paralelo, o governo brasileiro firmou três documentos na cúpula, abordando temas como câncer, proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais e combate ao narcotráfico. No entanto, não assinou outros textos que considerou excessivamente alinhados à visão dos países desenvolvidos, ressaltando a necessidade de uma perspectiva que considere os interesses dos países em desenvolvimento. Na visão do governo brasileiro, a cúpula do G7 precisa reconhecer a pluralidade global e ajustar suas prioridades para refletir essa complexidade.




