De acordo com declarações oficiais do Ministério da Saúde, o investimento inicial para a implementação desses acordos será de R$ 722 milhões no primeiro ano. Além disso, há uma projeção otimista de que, ao longo de uma década, o valor total dos investimentos possa alcançar R$ 10 bilhões, o que permitirá a fabricação e distribuição local dos medicamentos. Este passo está alinhado à estratégia de internalização da produção, com foco no desenvolvimento tecnológico de laboratórios, tanto públicos quanto privados, no Brasil.
A fabricação local não só diminuirá a dependência de importações, mas também trará maior estabilidade quanto à disponibilidade desses medicamentos, ampliando, portanto, o acesso da população a tratamentos de alta complexidade. Entre os principais itens que o Brasil importa da Índia estão produtos farmacêuticos, que, junto com diesel, inseticidas e peças automotivas, representam uma fatia significativa do comércio bilateral. Em 2024, as importações farmacêuticas chegaram a surpreendentes US$ 7,3 bilhões.
Além de consolidar esses acordos sobre medicamentos, Brasil e Índia também prorrogaram por mais cinco anos um memorando de entendimento com foco em cooperação bilateral em saúde. Este novo pacto abarca a produção de vacinas, insumos farmacêuticos, saúde digital e até mesmo inovações em inteligência artificial.
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinou um memorando com sua contraparte indiana, visando facilitar a troca de informações regulatórias sobre medicamentos e dispositivos médicos. Ao mesmo tempo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estabeleceu acordos com laboratórios indianos para realizar pesquisas e desenvolvimento de medicamentos que o Ministério da Saúde considera estratégicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância da parceria, afirmando que Brasil e Índia têm colaborado por décadas na defesa da equidade no acesso a medicamentos e da soberania sanitária, o que reforça a relevância das instituições nesse contexto. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também destacou que esses acordos são fundamentais não apenas para assegurar tratamentos, mas também para viabilizar a transferência de tecnologia e impulsionar a autonomia do Brasil em relação à produção de medicamentos. Lula e Padilha estão atualmente em uma missão na Índia, onde participam do Fórum Empresarial Brasil-Índia em Nova Delhi, refletindo a importância das relações bilaterais.







