Para o diplomata, a alegação de que a exploração de recursos naturais pode legitimar ações bélicas é inadequada e perigosa. Ele apontou que aceitar tais justificativas permitiria a figuras poderosas decidirem arbitrariamente o que é justo ou injusto, minando a soberania nacional e impondo decisões sobre nações mais vulneráveis. “Esse raciocínio carece de legitimidade e abre caminho para um conceito de moralidade que favorece os fortes em detrimento dos fracos”, enfatizou.
O embaixador também defendeu que a solução para a crise na Venezuela não passa pela criação de protetorados, mas sim pelo respeito à autodeterminação do povo venezuelano, em conformidade com sua própria Constituição. Nesse contexto, Danese instou o Conselho de Segurança a reagir com clareza e firmeza, garantindo que o Estado de Direito prevaleça sobre a lei da força.
Além disso, o diplomata brasileiro alertou que as ações recentes dos Estados Unidos representam uma grave violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, criando um precedente “extremamente perigoso” para a comunidade global. Ele ressaltou que esses atos criam um clima propício para a violência, desordem e a erosão do multilateralismo, prejudicando as normas que regem as relações internacionais.
Por último, Danese lembrou que a América Latina e o Caribe têm escolhido a paz como um valor central em suas interações, e a atual situação é considerada por ele “profundamente alarmante”. O embaixador reforçou que qualquer ataque à soberania de uma nação, independentemente de sua orientação política, impacta todo o sistema internacional, evidenciando a necessidade de um compromisso coletivo com a paz e a legalidade nas relações entre os Estados.







