INTERNACIONAL – Brasil Condena Ação Armada dos EUA na Venezuela e Alerta para Riscos à Paz Regional na ONU

Na última semana, o governo brasileiro expressou veementemente sua oposição à recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, incluindo o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. A indignação foi evidente durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), onde o embaixador Sérgio França Danese alertou que a paz na América do Sul estava em grave risco.

Danese lembrou que intervenções armadas anteriores na região frequentemente resultaram em regimes autoritários e extensas violações dos direitos humanos, como torturas e desaparecimentos forçados. Ele enfatizou que a história estava se repetindo, evocando capítulos obscuros que muitos acreditavam ter superado. Para o embaixador, esse tipo de intervenção representa uma grave ameaça ao esforço coletivo de manter a América do Sul como uma zona de paz.

Compromisso com a Paz

O Brasil reafirmou seu compromisso inabalável com a paz e a não intervenção em assuntos internos de países da região. Danese argumentou que os Estados Unidos cruzaram uma “linha inaceitável”, violando princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Segundo ele, o uso da força só é justificável em situações específicas e não deveria ser utilizado para manipular a exploração de recursos naturais ou a mudança ilegal de governos.

O diplomata brasileiro ressaltou que o futuro da Venezuela deve ser determinado pelo seu povo, em um diálogo sem interferências externas, e dentro dos parâmetros do direito internacional. Ele concluiu que o mundo multipolar contemporâneo demanda uma abordagem que promova paz e prosperidade, sem cair na armadilha das esferas de influência geopolítica.

Reações Regionais

Outros países da América do Sul, como Colômbia e Cuba, ecoaram as preocupações do Brasil, condenando as ações dos EUA. A embaixadora colombiana, Leonor Zalabata Torres, afirmou que tais atos violam tanto o direito internacional quanto a soberania da Venezuela, destacando os riscos humanitários e a instabilidade que isso poderia causar na região. O embaixador cubano, Ernesto Soberón Guzmán, acusou os Estados Unidos de buscarem controlar os recursos naturais venezuelanos, desmentindo alegações de atividade secreta de Cuba no país.

Por outro lado, a Argentina se posicionou de forma contrária, ao apoiar a ação militar estadunidense. O embaixador Francisco Fabián Tropepi definiu o sequestro de Maduro como um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo, afirmando que poderia abrir oportunidades para restaurar a democracia na Venezuela.

A crise na Venezuela continua a ser um tema divisivo no cenário internacional, explorando as complexas dinâmicas de poder e a autonomia dos países latino-americanos.

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