Alckmin mencionou que houve um obstáculo, referindo-se à recente decisão do Parlamento Europeu que, em sessão realizada no dia 21, aprovou um pedido ao Tribunal de Justiça da União Europeia para uma avaliação legal do acordo. Com 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, essa deliberação poderá atrasar a implementação do tratado, que depende da aprovação dos parlamentos de 32 países envolvidos, sendo 27 da Europa e cinco da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Historicamente, o Tribunal de Justiça da União Europeia leva cerca de dois anos para fornecer um parecer.
Apesar da paralisação gerada pela deliberação europeia, Alckmin assegurou que o Brasil continuará com os trâmites necessários para a internalização do acordo. Ele destacou que algumas figuras proeminentes na Europa, como o chanceler alemão Friedrich Merz, são favoráveis à rápida aprovação e implementação gradual do acordo, mesmo enquanto o tribunal ainda não se pronuncia sobre sua legalidade.
Ao se reunir com o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o senador Nelsinho Trad, Alckmin reafirmou a necessidade de agir rapidamente para evitar atrasos e garantir uma vigência provisória do acordo durante o debate jurídico em andamento.
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, expressou preocupação com a possibilidade de um impasse após 26 anos de negociações, mas permaneceu otimista. Viana ressaltou que, embora o acordo enfrente resistência na Europa devido a um lobby negativo contra produtos brasileiros, as autoridades brasileiras acreditam que ele representa uma oportunidade vantajosa para ambas as partes. Para superar esse obstáculo, a ApexBrasil está planejando uma campanha para melhorar a imagem do Brasil na Europa, convencendo a opinião pública sobre os benefícios do acordo.
A expectativa é que a implementação do tratado possa aumentar as exportações brasileiras em cerca de 7 bilhões de dólares, diversificando as vendas internacionais do Brasil. Os principais setores que seriam favorecidos incluem máquinas e equipamentos de transporte, motores, autopeças, além de produtos como couro, peles e itens químicos, que se beneficiariam de reduções tarifárias. Assim, o Brasil busca não apenas avançar no comércio exterior, mas também fortalecer suas relações econômicas com a Europa.
