Após meses de negociações com bancos e a CSN para buscar uma solução para suas dívidas, a InterCement deu entrada, nesta segunda-feira, 16, a um plano de recuperação extrajudicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Segundo informações obtidas pelo Estadão/Broadcast, o plano reestrutura uma dívida total de R$ 22 bilhões, com a adesão de 45,67% dos créditos sujeitos, representados pelo Itaú Unibanco e Bradesco.
O juiz deferiu o pedido e suspendeu as cobranças por 120 dias, como informaram fontes próximas ao processo. Em comunicado oficial, a empresa destacou a significativa adesão de seus credores ao plano de recuperação extrajudicial, que inclui a alienação de participações societárias, ativos e operações para um terceiro investidor. Essa negociação está em estágio avançado e é uma das condições para a eficácia do plano.
O pedido protocolado pelo escritório Munhoz Advogados também destaca que a Mover, controladora da InterCement, não está englobada no plano, pois alcançou uma solução consensual com seu único credor financeiro, o Bradesco BBI. Após 60 dias de intensas negociações, o desfecho foi finalmente alcançado, na tentativa de obter um acordo satisfatório para todos os envolvidos.
Dentro do grupo, R$ 12,8 bilhões correspondem a empréstimos entre as companhias, detalha o pedido da InterCement. Os credores com garantia real incluem o Bradesco, o Itaú e o Banco do Brasil, enquanto os bancos têm R$ 5,9 bilhões a receber da empresa. Apesar disso, o Banco do Brasil e os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior não aderiram ao plano de reestruturação.
A InterCement agora tem 90 dias para obter os 50% mais 1 de aprovação necessários para homologar o plano, após ter alcançado a aprovação de um terço dos credores, entre eles Bradesco e Itaú. As negociações prévias com os bancos e a CSN foram fundamentais para chegar a esse ponto, com a CSN mostrando interesse em adquirir a cimenteira, embora enfrentando algumas contingências no processo.
Essa movimentação da InterCement no cenário financeiro evidencia um esforço para reverter a situação de endividamento e dar continuidade às operações de forma mais sustentável. Acompanharemos de perto os desdobramentos desse plano de recuperação extrajudicial para entender os impactos e desafios que a empresa ainda terá que enfrentar para se reerguer.







