A adoção da IA é considerada diferente de modismos tecnológicos, segundo Gustavo Brito, CEO global da Stefanini Manufacturing. Ele enfatizou que a tecnologia está sendo implementada de maneira consultiva, levando em conta as necessidades específicas de cada fábrica. Brito destacou a existência de mais de 200 modelos industriais desenvolvidos para monetizar decisões com base em dados e algoritmos, refletindo uma clara vantagem competitiva.
Entretanto, os desafios estruturais ainda persistem na indústria brasileira. Dificuldades no acesso ao crédito, juros altos, regulação excessiva, infraestrutura inadequada e baixa qualificação da mão de obra são obstáculos significativos. Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, alertou que sem a superação dessas barreiras, o Brasil poderá ficar estacionado, incapaz de aproveitar o potencial das novas tecnologias.
Por outro lado, já existem casos de sucesso que provam a eficácia da IA. Francisco Vervloet, gerente executivo da Petrobras, revelou que a empresa já investiu R$ 500 milhões em IA nos últimos cinco anos, o que resultou em economias significativas. A utilização de “cães-robôs” para manutenção em plataformas offshore, por exemplo, gerou uma redução de custos de R$ 1 bilhão por ano ao otimizar paradas programadas. Além disso, a IA também tem sido utilizada para facilitar o acesso a manuais operacionais.
Na Siemens, Luis Mosquera, vice-presidente de Relações Governamentais, apresentou o uso de “gêmeos digitais”, que ajudam a prever o desempenho de produtos, e sistemas automatizados que permitem a inspeção em tempo real de trens e metrôs. Mosquera enfatizou que a IA não é uma moda passageira, mas sim uma revolução que transformará a vida cotidiana, comparável ao impacto da eletricidade e da internet.
Durante a Hannover Messe, o Brasil foi o país em destaque, com a presença de 800 empresários e representantes de 300 empresas. A participação do presidente Lula na abertura do evento, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, ilustra a importância dessas relações. Bruno Vath Zarpellon, da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, argumentou que um acordo de bitributação entre os dois países é crucial para aproveitar o potencial do tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
A Hannover Messe deste ano se consolidou como um espaço vital para discutir inovações tecnológicas e promover parcerias estratégicas, ressaltando a relevância da IA na indústria moderna e os desafios enfrentados pelo Brasil para se destacar neste cenário global.
