Instituto Butantan e WuXi Lançam Primeira Vacina de Dose Única Contra Dengue, Prevista para o Calendário Nacional em 2026

Na última quarta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo, desenvolvida pelo Instituto Butantan em colaboração com a empresa chinesa WuXi. Este avanço representa um marco significativo na luta contra a dengue, uma doença que afeta milhões de pessoas no Brasil e em várias partes do mundo.

Produzida integralmente no Brasil, a vacina é inicialmente destinada ao público de 12 a 59 anos, e já conta com mais de um milhão de doses prontas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, confirmou que a produção, por meio da parceria com a WuXi, poderá ser acelerada, resultando em cerca de 30 milhões de doses adicionais a partir do segundo semestre de 2026. Durante a coletiva de imprensa, o ministro destacou que, segundo estudos clínicos, a vacina oferece proteção por até cinco anos, demonstrando uma eficácia superior a 90% contra formas graves da doença e 100% em hospitalizações.

A inclusão da Butantan-DV no calendário nacional de vacinação está prevista para ocorrer em dezembro, desde que as recomendações dos técnicos na área de saúde sejam favoráveis. A aprovação foi celebrada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que ressaltou a importância da vacina para a ampliação da cobertura vacinal no estado, considerando-a uma vitória da ciência.

Entretanto, a Butantan-DV não é recomendada para gestantes, idosos acima de 60 anos e pessoas imunossuprimidas, grupos que dependerão de dados adicionais que ainda estão sendo coletados até 2028. O Instituto Butantan já recebeu autorização para realizar testes em pessoas na faixa etária de 60 a 79 anos e planeja expandir os estudos para o público pediátrico.

O diretor do Butantan, Esper Kallás, alertou sobre a crescente disseminação da dengue em novas áreas geográficas, como resultado das mudanças climáticas. Esse contexto reforça a necessidade de uma abordagem consolidada e educativa para aumentar a adesão à vacina, uma tarefa ressaltada por Padilha durante a coletiva, que reconheceu o desafio de combater a desinformação em torno da vacinação.

Com investimentos significativos do governo federal, mais de R$ 1,2 bilhão foram destinados à expansão da infraestrutura do Instituto Butantan, fundamental para a produção da vacina. O Brasil se posiciona assim como um líder na oferta dessa nova vacina no sistema público de saúde, refletindo um compromisso abrangente com a saúde pública e a inovação em biotecnologia.

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