Para ilustrar essa questão, o Banco Mundial apontou que o custo médio global para enviar uma remessa é de 6,49% do valor enviado, e, para serviços bancários, esse valor salta para 14,55%. Enquanto os sistemas de pagamento domésticos evoluíram rápida e eficientemente, com mais de 70 países implementando sistemas que permitem transferências em segundos a baixos custos, o mesmo não se pode dizer das transações internacionais, que ainda enfrentam uma cadeia prolongada de intermediários e procedimentos burocráticos.
Nesse contexto, as stablecoins emergiram como uma solução potencial. Não apenas um avanço tecnológico, mas uma resposta direta à antiga dificuldade de transferir dinheiro entre países de maneira rápida e econômica. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que os fluxos internacionais de stablecoins atingiram cerca de US$ 1,5 trilhão em 2024, com dados recentes indicando um uso crescente. Uma análise sugere que, ao final de 2025, os pagamentos realizados com stablecoins já poderiam ter alcançado aproximadamente US$ 390 bilhões.
O BIS introduziu projetos como Nexus e Agorá para abordar os desafios persistentes nas transferências internacionais. O Nexus propõe uma abordagem simplificada, criando uma única conexão entre os sistemas de pagamento domésticos, em vez de depender de múltiplas “pontes” separadas que conectam diferentes países. O objetivo é permitir pagamentos internacionais em até 60 segundos, transformando uma arquitetura fragmentada em uma rede mais escalável.
Por outro lado, o projeto Agorá envolve uma equipe de sete bancos centrais e instituições financeiras privadas, buscando testar uma infraestrutura programável que possa facilitar pagamentos internacionais com menos etapas. Este projeto se propõe a repensar a forma como o dinheiro circula, utilizando tecnologia para reduzir fricções tradicionais no processo de liquidação.
Embora as inovações apresentadas por stablecoins, Nexus e Agorá sinalizem um movimento em direção à modernização dos pagamentos internacionais, ainda há um longo caminho a percorrer. A transformação do setor financeiro pode não ser instantânea, mas esforços reais estão em andamento para reconstruir a infraestrutura desde a base. A próxima revolução nos pagamentos poderá se concretizar na camada invisível que, por questões de custo e velocidade, determinará como o dinheiro transita entre países, em vez de se manifestar apenas em aplicativos ou cartões. O mundo está pronto para deixar para trás a era dos “remendos” e abraçar a possibilidade de um sistema de pagamentos verdadeiramente eficiente e acessível.





