Ronan já possui uma presença significativa nas redes sociais, onde documenta detalhadamente suas intervenções estéticas. Em sua conta, ele não apenas exibe os resultados das cirurgias, mas também compartilha o processo de recuperação, revelando um lado vulnerável de sua jornada. O movimento do looksmaxxing, do qual faz parte, é caracterizado pela busca incessante por um ideal de beleza frequentemente irreal, moldado por padrões estéticos promovidos nas redes sociais e pela utilização de tecnologia de edição de imagem.
Este fenômeno é especialmente comum entre adolescentes e jovens adultos, que se sentem pressionados a atender a requisitos de aparência que muitas vezes se originam de comunidades online, algumas das quais estão associadas ao ativismo masculino radical, conhecido como machosfera. A busca por características como mandibulas marcadas, olhos com formatos específicos e um corpo musculoso leva muitos a adotar diets severas e práticas de exercícios extremos, além de procedimentos cirúrgicos.
Embora a movimentação em torno do looksmaxxing já seja presente nas redes sociais há aproximadamente uma década, sua popularidade se intensificou, principalmente no TikTok, onde muitos compartilham suas transformações. A prática é dividida em “softmaxxing”, que se refere a melhorias mais sutis e temporárias, e “hardmaxxing”, que abrange intervenções mais invasivas.
No Brasil, a recente morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, trouxe à tona preocupações sobre os perigos da busca por padrões corporais considerados inatingíveis e os riscos associados ao uso de substâncias como anabolizantes. Embora o looksmaxxing ainda não seja amplamente conhecido no país, é uma preocupação crescente entre pais e profissionais de saúde.
Os especialistas ressaltam que, embora a cirurgia plástica possa ser uma escolha válida, é crucial estabelecer limites, não apenas físicos, mas emocionais. O cirurgião plástico André Maranhão destaca a necessidade de uma avaliação cuidadosa das expectativas de pacientes antes de realizar operações, argumentando que, em alguns casos, pode ser mais ético recusar a cirurgia.
Além disso, fora do Brasil, há um crescente alerta sobre a transformação do cuidado com a aparência em uma compulsão, refletindo um padrão que se sustenta em crenças prejudiciais sobre a validação social através da estética. Os discursos de comunidades como a dos incels, que promovem noções distorcidas sobre a atratividade e o valor pessoal baseado exclusivamente na aparência, podem acirrar essas dinâmicas, gerando ressenti mentos e adversidade nas relações interpessoais. O estudo de pesquisadores enfatiza a importância de apoio psicológico para lidar com essas questões, visando um entendimento mais saudável e construtivo nas relações afetivas.





