Influenciador de Campinas tem bolsa do Prouni negada por movimentações financeiras de mãe ligadas a apostas, revela drama familiar e luta por educação.

O influenciador digital Eduardo Luvizetto dos Santos, residente em Campinas (SP), enfrenta um desafio significativo após a negativa de sua bolsa integral pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). A Universidade Paulista (UNIP), onde Eduardo seria aluno do curso de Psicologia, alegou que movimentações financeiras na conta bancária de sua mãe, que incluem depósitos e saques de plataformas de apostas online, influenciaram na decisão.

Eduardo, conhecido por seu perfil que promove uma alimentação vegana acessível, foi pré-selecionado para o Prouni após obter uma nota expressiva no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. Ele se encaixava nos requisitos do programa, com a renda familiar observada sendo de até um salário mínimo e meio por integrante da família. Morando com sua mãe aposentada em um bairro periférico, o influenciador acreditava estar apto a receber o benefício.

Durante a análise dos documentos, a faculdade alertou que os extratos bancários apresentavam atividades que não condiziam com os valores de renda informados. Em especial, as transações eram relacionadas a jogos de azar, além de incluir depósitos decorrentes de empréstimos consignados feitos pela mãe.

Em entrevista, Eduardo relatou que, ao ser convocado para uma conversa na instituição, a funcionária confirmou que, com base nos documentos apresentados, ele se enquadraria nos critérios exigidos. No entanto, o que complicou o processo foram os registros de apostas, dos quais ele não tinha plena consciência até então.

O ambiente familiar de Eduardo reflete uma situação preocupante. Ele menciona que a mãe apresenta um quadro de ludopatia, um transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, caracterizado pelo impulso compulsivo por jogos de azar. Segundo Eduardo, essa situação expôs sua família a um sofrimento inesperado, culminando na descoberta dos empréstimos que a mãe havia contraído para sustentar o vício.

Para a advogada Alynne Nunes, especialista em Direito Educacional, a análise da Comissão de Bolsas do Prouni justifica a negativa da bolsa, já que as movimentações financeiras, mesmo que relacionadas a jogos, são consideradas na avaliação de renda. Apesar dos desafios legais que Eduardo enfrenta, Nunes acredita que, caso comprove a ludopatia da mãe, há possibilidade de reverter a decisão no Judiciário. A urgência é ainda maior, uma vez que as aulas estão prestes a começar, e um pedido liminar pode ser fundamental para evitar que o aluno perca a oportunidade de estudar.

Após a rejeição do seu recurso administrativo, que argumentou que as movimentações não indicavam aumento patrimonial, Eduardo se comprometeu a buscar assistência jurídica para tentar reverter a situação. Ele e seu irmão, também influenciadores, têm dedicado seu tempo ao projeto “Vegano Periférico”, que visa disseminar informações sobre veganismo de forma acessível, visando beneficiar comunidades de baixa renda.

À medida que a situação se desenrola, Eduardo se prepara para lutar não apenas pela sua educação, mas também por questões que envolvem a saúde e o bem-estar de sua família, em um cenário onde a interseção entre saúde mental e políticas educacionais traz à tona debates complexos e necessários.

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