Influência de Bolsonaro nos atos de 8 de janeiro divide o Brasil, aponta pesquisa Quaest um ano após os protestos terroristas

No Brasil, o debate sobre a influência do ex-presidente Jair Bolsonaro nos atos ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023 continua sendo motivo de grande divisão entre a população. Uma pesquisa recente da Quaest revela que, um ano após os atos realizados por supostos terroristas bolsonaristas, a maioria esmagadora da população ainda os rejeita veementemente. A pesquisa, feita em todas as regiões do país e em diferentes faixas de renda, escolaridade e idade, mostrou que cerca de 90% dos brasileiros condenam os atos, demonstrando uma diminuição em relação aos 94% de desaprovação registrados em 2023.

Ainda segundo a pesquisa, o índice de desaprovação entre os eleitores de Bolsonaro é de 85%, enquanto entre os eleitores de Lula chega a 94%, evidenciando assim a resistência da democracia brasileira. É possível perceber que o país resistiu à política partidária mesmo diante de tamanha polarização, algo positivo para a manutenção da democracia no país. Além disso, a comparação feita com o ataque ao Capitólio nos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021 revela diferenças significativas, uma vez que apenas 4% da população brasileira aprovou os atos, enquanto nos EUA esse índice foi de 9%, evidenciando uma maior rejeição no Brasil em relação aos atentados.

Os dados da pesquisa também apontam que a não-politização do tema no Brasil tem garantido que as diferenças de percepção entre os participantes das invasões sejam menores. A maioria dos entrevistados acredita que os participantes dos atos são radicais que não representam o eleitor típico de Bolsonaro, o que mostra uma diminuição na percepção de que sejam representantes legítimos do bolsonarismo.

Em relação à influência de Bolsonaro na organização dos atos, a pesquisa aponta que 47% acreditam que o ex-presidente teve alguma influência, contra 43% que pensam o contrário, demonstrando uma divisão na opinião pública em relação a esse assunto. No entanto, é importante ressaltar que a pesquisa revela a importância de não partidarizar o tema, uma vez que se trata de um problema do Estado brasileiro e envolve a defesa das regras, da Constituição e da própria democracia do país.

Realizada entre os dias 14 e 18 de dezembro, a pesquisa contou com 2.012 entrevistados presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais em todos os Estados, e apresenta uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais, fornecendo um panorama importante sobre a opinião da população em relação aos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

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