Em um panorama mais amplo, a inflação acumulada nos últimos doze meses atingiu a marca de 4,14%. Esse número está acima do centro da meta estabelecida de 3%, mas ainda dentro do limite superior de 4,5%. Para fins de comparação, no mesmo período do ano passado, a variação foi de 0,56%. No que diz respeito ao acumulado no início do ano, de janeiro a março, o IPCA apresentava uma alta de 1,92%.
O aumento de 0,88% na inflação de março superou as expectativas de economistas e instituições financeiras, que previam um índice próximo de 0,70%. Vale lembrar que a meta de inflação para 2026 é fixada em 3%, podendo variar 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, resultando em um piso de 1,5% e um teto de 4,5%, conforme orientações do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Um dos principais motores desse aumento foi o grupo de transportes, cujo crescimento foi de 1,64%, impactado especialmente pelos preços dos combustíveis. O grupo de alimentação e bebidas também contribuiu significativamente, com uma alta de 1,56%. Essas duas categorias juntas foram responsáveis por cerca de 76% do aumento total do IPCA de março, com contribuições individuais de 0,34 e 0,33 ponto percentual, respectivamente.
Os preços da gasolina, que haviam registrado uma leve queda no mês anterior, dispararam 4,59% em março, representando um impacto de 0,23 ponto percentual no índice. Também se notou um aumento expressivo no preço do diesel, que subiu 13,90%, além de um acréscimo de 0,93% nos preços do etanol. Embora as passagens aéreas continuem a subir, seu aumento foi em um ritmo menor em relação ao mês anterior.
O contexto internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio, também afeta diretamente os preços dos combustíveis. A cotação do barril de petróleo, referência no mercado, variou significativamente nesse período, alcançando picos em torno de US$ 120 antes de estabilizar-se perto de US$ 95,46.
Além do grupo de transportes, a categoria de alimentação e bebidas, que subiu de 0,26% para 1,56%, teve um impacto considerável no índice geral. Os preços dos alimentos vendidos em domicílios apresentaram um aumento de 1,94%, com destaque para itens como tomate e cebola, que subiram 20,31% e 17,25%, respectivamente. Contudo, algumas frutas, como a maçã, chegaram a apresentar queda de 5,79%.
Com a inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também mostrando um aumento de 0,91% em março e uma alta acumulada de 3,77% em doze meses, o cenário econômico demanda vigilância constante, visto que o INPC é um importante parâmetro para reajustes salariais e benefícios sociais.
