Indústria Intensiva em Energia Enfrenta Desafios para Descarbonização sem Perder Competitividade, Afirmam Especialistas em Painel sobre Transição Energética.

O desafio da descarbonização na indústria intensiva em energia, incluindo setores como mineração, alumínio e siderurgia, foi o foco central de um painel discutido no evento “Transição Energética – Energia e indústria: como descarbonizar sem perder competitividade”. Uma conclusão unânime entre os especialistas presentes foi a ausência de uma solução única e simples para enfrentar essa complexa transição. A necessidade de implementar uma combinação de tecnologias se mostrou essencial para reduzir as emissões de gases do efeito estufa enquanto se mantém a competitividade no mercado.

Estudos indicam que a indústria é responsável por cerca de 25% das emissões globais de dióxido de carbono oriundas do setor energético. Para segmentos como a mineração, o aço, o cimento e o alumínio, a redução de emissões pode ser alcançada por meio da eletrificação, eficiência energética e substituição de combustíveis fósseis. No entanto, parte desse desafio depende de tecnologias que ainda não estão disponíveis em escala comercial.

Rodrigo Lauria, diretor de mudanças climáticas e descarbonização de uma grande mineradora, destacou que “não haverá uma bala de prata” para resolver o problema e mencionou ações já implementadas, como o uso de biocombustíveis e o investimento em novas formas de energia. Desde 2020, a empresa já alocou mais de R$ 9 bilhões em iniciativas de descarbonização. Para Lauria, a redução das emissões agora não é apenas uma questão ambiental, mas uma questão de competitividade, especialmente à medida que mais países adotam mecanismos de precificação de carbono.

Alessandra Fajardo, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), enfatizou a importância de identificar as medidas com maior potencial de impacto em cada setor produtivo, em vez de buscar uma solução universal. Ela observou que, em muitos casos, um pequeno número de ações poderia levar a uma redução significativa de emissões.

O setor de alumínio, descrito como “hard to abate”, ilustra como diferentes cadeias produtivas podem seguir caminhos únicos na transição energética. As dificuldades em implementar tecnologias em larga escala, aliadas à pressão externa, como o mecanismo de ajuste de carbono fronteiriço instituído pela União Europeia, tornam essa tarefa ainda mais complexa.

Os especialistas concordaram que a transformação necessária dependerá em grande parte do setor privado. A necessidade de ação prática, mais do que discursos, foi reiterada, com a expectativa de que as empresas identifiquem e abordem seus próprios gargalos. O CEBDS já está promovendo discussões para buscar soluções comuns entre as empresas, assim como o desenvolvimento de um observatório para monitorar os resultados das iniciativas de descarbonização. Segundo os participantes, essa transição exige um conjunto diversificado de soluções, e não uma única abordagem.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo