Indústria do Transporte Ignora Direitos: Aeroporto de Guarulhos Indeniza Jovem PCD em R$ 15 mil Após Situação Humilhante e Desumana

Num episódio que evidenciou a falta de empatia e respeito às necessidades de pessoas com deficiência, Vitória Cristina da Cruz Scomparim, uma jovem de 25 anos, relatou uma experiência profundamente humilhante no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Portadora de distrofia muscular, Vitória se utilizava de uma cadeira de rodas fornecida pela própria instituição para facilitar sua locomoção enquanto aguardava a chegada de sua irmã de uma viagem internacional.

Em janeiro de 2024, ao percorrer o terminal, a jovem enfrentou uma abordagem desconcertante de um segurança que a obrigou a devolver o equipamento, com a justificação de que seu uso não era permitido sem uma solicitação prévia. Apesar de seus apelos para que lhe fosse permitido retornar ao carro com a cadeira, sua solicitação foi negada. Sem alternativas, ficou relegada a um banco convencional, vivenciando um momento de intenso desconforto e discriminação.

Vitória expressou sua indignação ao afirmar que “faltou prudência e preparo humano”. Para ela, a situação expôs uma falha estrutural na abordagem dos funcionários do aeroporto, que, embora tecnicamente capacitados, não estavam prontos para lidar com a dignidade de um ser humano em uma situação delicada. Sua mãe, que também presenciou a cena, tentou interceder sem sucesso em defesa da filha.

Em um desdobramento importante, a Justiça de São Paulo reconheceu a gravidade do ocorrido, condenando o Aeroporto Internacional de Guarulhos a pagar R$ 15 mil por danos morais a Vitória. A decisão judicial destacou a violação dos direitos humanos e a fragilidade do atendimento prestado, considerando a remoção da cadeira de rodas como uma afronta à dignidade da jovem. O juiz enfatizou que a família lidou com o que lhe foi oferecido, e que o valor da indenização servirá tanto para reparar o sofrimento quanto para educar acerca da importância de um atendimento inclusivo.

A situação levantou questionamentos sobre a necessidade de maior conscientização e treinamento em relação à inclusão e ao tratamento de pessoas com deficiência em espaços públicos. O espaço continua aberto para manifestações do aeroporto, que até o fechamento desta matéria não havia se manifestado. O caso de Vitória é um lembrete da urgência de práticas mais humanas e respeitosas em serviços essenciais.

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