Especialistas como Tatiana Poggi, professora de história contemporânea, afirmam que a indústria bélica vai além do que tradicionalmente se imagina, envolvendo um conjunto complexo que inclui tecnologias de ponta e até a indústria de entretenimento, com videogames que simulam conflitos. Para Poggi, a guerra se tornou uma parte fundamental do capitalismo contemporâneo, gerando um ciclo de investimentos que acabam por beneficiar até mesmo setores como a construção civil, que se mobiliza para a reconstrução de países em crise.
O impacto das guerras, entretanto, não se restringe a uma simples questão econômica. As crises internacionais também têm o poder de desviar a atenção do eleitorado dos problemas domésticos, um ponto que ficou evidente após os ataques de 11 de setembro, que mudaram o foco do governo americano para a segurança nacional.
Por outro lado, a retórica que envolve esses conflitos foi se transformando. Se antes havia um discurso civilizacional que justificava ações militares, hoje a narrativa gira em torno da defesa da democracia e da luta contra tiranos, uma estratégia que, segundo especialistas, serve para camuflar intenções imperialistas.
Nos EUA, o apoio a políticas expandindo o complexo militar é uma questão bipartidária. Tanto o governo de Joe Biden quanto o de Donald Trump, embora com abordagens diferentes, perceberam que o financiamento a essas guerras é essencial para manter a influência americana global. Enquanto Biden prioriza o suporte às operações de defesa, Trump teria um foco mais voltado para o fortalecimento das Big Techs, sinalizando uma mudança na maneira como se busca a hegemonia.
As dinâmicas do poder global estão mudando, com novos polos de influência emergindo, como China e Rússia, e os EUA tentando reafirmar seu domínio em um mundo cada vez mais multipolar. O panorama sugere que, apesar das diferentes abordagens entre administrações, o espírito de intervenção e o fortalecimento de uma indústria bélica sólida permanecem como pilares fundamentais da política externa americana. Essa interdependência entre guerra e economia nos EUA continua a ser um tema que merece atenção e análise cuidadosa.
