Indiciamento de Sócios da Galeria dos Pães em Escândalo Financeiro na Zona Oeste de SP
A Galeria dos Pães, uma renomada padaria localizada no Jardim América, um dos bairros mais nobres da zona oeste de São Paulo, se vê envolvida em um escândalo que chamou a atenção da Polícia Civil. Sócios da padaria foram indiciados sob suspeita de furto de R$ 4,2 milhões e fraude processual, em meio a uma disputada familiar por controle do negócio. Os valores em questão foram distribuídos entre dois advogados e dois herdeiros, levantando sérias questões sobre a condução da empresa.
A padaria, que já recebeu visitas ilustres, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro em junho do ano passado, está agora sob um inquérito investigativo aberto pelo 78º Distrito Policial, que fica a menos de 80 metros do estabelecimento. De acordo com as informações obtidas, os R$ 4,2 milhões foram retirados do caixa da padaria e transferidos para o escritório da advogada Maria Schaffer Gois. O escritório atuou em defesa de herdeiros que possuíam 50% das ações da empresa e buscavam afastar um familiar da administração do negócio.
Embora a defesa alegue que os valores se referem a honorários advocatícios, a polícia está convencida de que a quantia é desproporcional ao que seria considerado um valor de mercado aceitável para tais serviços. Um dos herdeiros, durante o depoimento, revelou que foi orientado por Maria Gois sobre as transferências, que foram descritas como “acerto de contas”.
A figura do advogado Adolfo Gois, pai de Maria e com um histórico controverso na advocacia, também entra em cena. Recentemente, ele foi alvo de críticas por declarações consideradas desrespeitosas a uma juíza, além de ser réu por injúria relacionada a comentários homofóbicos.
O inquérito permanece em segredo de Justiça, mas tornou-se público após o pedido de habeas corpus de Adolfo Gois ser negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Com a morte de Oswaldo Guedes de Oliveira, um dos fundadores da padaria, a administração do negócio tornou-se foco de disputas acirradas, incluindo acusações de sonegação fiscal.
Além das questões financeiras, fotografias apresentadas como provas de vendas de produtos impróprios foram contestadas, levantando suspeitas sobre a veracidade das evidências. Enquanto algumas transfiraçõe de valores foram feitas do caixa da Galeria dos Pães para os advogados e herdeiros, a investigação aponta que as movimentações financeiras indicam uma intenção deliberada de ocultar irregularidades.
No decorrer dos eventos, mesmo com um acordo firmado em novembro de 2025 entre as partes, o caso continua na esfera judicial por conta do indiciamento. As declarações das partes envolvidas refletem um clima de tensão e desconfiança, enquanto a Galeria dos Pães segue operando sob o comando de Milton e seus filhos, em meio a um cenário repleto de controvérsias e questionamentos éticos.
Em busca de esclarecimentos, os advogados e herdeiros não se manifestaram publicamente, enquanto a narrativa de um negócio estabelecido em amor e confiança se transforma em um emaranhado jurídico cheio de desconfiança e disputas que ainda devem ser esclarecidas nas cortes. A comunidade local observa atentamente o desenrolar dessa história, que parece longe de chegar ao fim.
