Questionado sobre o controvertido inquérito das fake news, Messias sublinhou a importância de que nenhuma investigação se prolongue indefinidamente. Ele destacou que “ninguém pode ser investigado a vida toda” e defendeu que as apurações devem “ter começo, meio e fim” dentro de um prazo razoável. Sua posição sugere uma necessidade urgente de se discutir os limites do tempo em investigações penais, algo que reflete uma preocupação crescente na sociedade sobre questões de justiça e direitos individuais.
Messias, ao ser indagado sobre temas mais delicados, como o inquérito das fake news, optou por manter uma postura cautelosa. Embora não tenha se posicionado sobre casos específicos — justificando que, caso aprovado, terá a oportunidade de votar no futuro —, ele expressou sua visão de que “processo penal não é ato de vingança, é de justiça”. Essa afirmação mostra sua intenção de atuar de forma imparcial e ética, valores que disse incorporar em sua prática jurídica.
Durante a sabatina, o indicado mencionou princípios fundamentais nos quais pretende se basear, como o respeito à Constituição Federal, a separação de Poderes e a duração razoável do processo. Messias ressaltou que a “duração razoável” não deve ser apenas uma formalidade, mas um princípio ativo que protege as liberdades individuais. Ele enfatizou que o que não pode existir é um “inquérito eterno”, associando essa prática ao arbítrio, que a democracia deve evitar.
Além disso, Messias abordou questões sociais sensíveis, como a legalização do aborto e a descriminalização das drogas, afirmando que tais temas devem ser discutidos e decididos no âmbito legislativo, não como competência do Judiciário. Este posicionamento reflete uma tendência de devolver certas discussões ao Legislativo, em um momento em que o equilíbrio entre os Três Poderes é frequentemente debatido.
A aprovação de Messias na CCJ é vista como apertada, com partidarismos claramente divididos. Enquanto aliados do governo mostram-se otimistas quanto à sua confirmação, a ausência de um apoio explícito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiciona uma camada de incerteza ao desenrolar da votação. Se for aprovado, o nome de Messias seguirá para o plenário, onde a votação secreta poderá trazer não apenas a validação, mas a configuração da relação entre o Executivo e o Legislativo neste novo ciclo político. Se confirmado, ele sucederá o ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou antecipadamente, marcando assim uma nova era para o STF.
