Índia se torna segundo maior importador de petróleo brasileiro, superando EUA e fortalecendo laços estratégicos no setor energético global

O atual reordenamento do sistema econômico global, impulsionado por políticas tarifárias inusitadas dos Estados Unidos e conflitos geopolíticos que alteram as relações comerciais, levou várias nações a reavaliar suas estratégias no comércio internacional. Nesse cenário, a Índia tem buscado estreitar os laços com o Brasil, especialmente no setor de petróleo.

Se analisarmos os dados recentes, em 2025, a Índia foi identificada como o décimo maior destino das exportações brasileiras, ocupando a sétima posição no que diz respeito às importações de petróleo bruto e minerais betuminosos. Entretanto, em um panorama que se alterou rapidamente, nos primeiros meses deste ano, Nova Deli tornou-se o segundo maior mercado para o petróleo brasileiro, superando inclusive os Estados Unidos, ficando atrás apenas da China.

A Petrobras, a estatal brasileira de petróleo, também tem se mobilizado. Em 2024, a empresa ampliou seus contratos de venda de petróleo com refinarias indianas de destaque, como a Indian Oil Corporation Limited, a maior do país, além da Bharat Petroleum Corporation Limited e da Hindustan Petroleum Corporation Limited. Estima-se que o volume total dessas transações até março de 2027 possa alcançar 60 milhões de barris, representando um valor superior a US$ 3 bilhões, ou aproximadamente R$ 15,4 bilhões.

Em recente entrevista, o embaixador brasileiro na Índia, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, ressaltou que a significativa capacidade de refino da Índia poderia ser um trunfo para reduzir a vulnerabilidade do Brasil nesse setor. O embaixador também mencionou a potencial instalação de refinarias indianas em solo brasileiro como uma possibilidade de colaboração na produção interna de derivados essenciais, como o diesel, fundamental para o transporte no país.

Doutor em ciências militares e analista de relações internacionais, André Figueiredo Nunes, acredita que essa parceria poderá ser vantajosa no futuro. No entanto, os acordos atuais não contemplam, por enquanto, a construção de refinarias indianas no Brasil. Segundo ele, o modelo de negócios desenhado para os contratos com a Índia favorece mais a exportação de petróleo bruto do que a redução da lacuna de refino no território brasileiro.

Nunes observa que, neste contexto de incertezas geopolíticas, os acordos estabelecidos podem proporcionar benefícios concretos para o Brasil, ao posicionar a Petrobras como um parceiro estratégico no mercado e fortalecer a imagem do país como um fornecedor confiável entre nações em desenvolvimento. Além disso, a parceria com a Índia, um dos maiores consumidores mundiais de petróleo, poderia garantir vantagens ao Brasil na importação de petróleo refinado a preços mais competitivos, beneficiando setores como agronegócio, aviação e transporte de cargas.

Entretanto, diante da instabilidade política e econômica, o especialista alerta sobre a necessidade de manter investimentos na Petrobras e nas refinarias nacionais. Isso se torna fundamental para assegurar a segurança e a soberania energética do Brasil em tempos de crises internacionais que possam impactar o preço do barril de petróleo.

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