InCor Lança Projeto Inovador que Promove Desenvolvimento e Autonomia em Crianças com Síndrome de Down Através de Abordagem Multidisciplinar e Apoio Familiar

Desde agosto de 2022, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor) tem promovido o projeto “Corações em Sintonia”, que realiza um acompanhamento intensivo de 27 famílias de crianças com idades entre 7 e 17 anos que apresentam síndrome de Down. Esta condição, que afeta aproximadamente 4 em cada 100 mil nascidos vivos no Brasil, requer um suporte integrado e contínuo para o desenvolvimento de habilidades essenciais.

Com uma abordagem multidisciplinar, o projeto oferece aos participantes sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional. Além disso, são realizados grupos de trabalho que têm como foco o aprimoramento das capacidades de comunicação e relacionamento das crianças. O objetivo central é fomentar a independência dos pequenos em atividades do dia a dia, promovendo suas habilidades sociais e emocionais.

A coordenadora do projeto, a psicanalista Pauline Fonseca, destaca a importância do olhar atento para as sutilezas do comportamento das crianças: “Aqui, trabalhamos com autonomia, qualidade de vida e independência. Observamos como brincam e se expressam, buscando compreender o que muitas vezes não é verbalizado,” explica. Pauline enfatiza que a parceria com as famílias é fundamental, já que o ambiente familiar exerce um impacto significativo no desenvolvimento infantil.

Os resultados iniciais do programa têm sido encorajadores. Segundo a médica e gestora do projeto, Angela Gianni, os avanços já são visíveis, com melhorias na qualidade dos movimentos e na performance motora das crianças. A capacidade de atribuir funções a brinquedos e a evolução nas interações lúdicas são alguns dos progressos notados. As melhorias físicas também englobam o desenvolvimento de habilidades motoras como subir e descer escadas e equilíbrio, além de um aumento na agilidade em tarefas cotidianas.

Para além das conquistas físicas, os avanços subjetivos também são destacados. A melhoria na expressão facial, crucial para a comunicação, foi observada, mesmo entre crianças que enfrentam desafios na fala. Duas delas, que estão no espectro autista, mostraram progresso na comunicação e na ligação com seus terapeutas.

As terapias do programa ocorrem de uma a três vezes por semana, dependendo da disponibilidade das famílias. O enfoque é exclusivo para pacientes do InCor diagnosticados com síndrome de Down, uma vez que um alto percentual dessas crianças apresenta problemas cardíacos desde a infância. O cardiologista Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor, explica que cerca de 50% dos pacientes com síndrome de Down sofrem de cardiopatias, as quais muitas vezes exigem intervenções cirúrgicas precoces.

Além do suporte às crianças, o programa também promove encontros mensais para as mães, oferecendo um espaço de troca e suporte emocional. A endocrinologista Claudia Cozer Kalil, idealizadora do projeto, observa que as mães experimentam não apenas os desafios da maternidade, mas também a solidão que pode acompanhar essa experiência. Nas reuniões, são discutidos temas relevantes, como a convivência entre irmãos e a integração das crianças no ambiente escolar, fortalecendo laços e promovendo um senso de comunidade entre as participantes.

Assim, o projeto “Corações em Sintonia” se revela não apenas uma plataforma de cuidado profissional, mas uma rede de apoio que visa melhorar a qualidade de vida, tanto das crianças quanto de suas famílias.

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