Incerteza Sobre Perimenopausa Afeta 34% das Mulheres Americanas com Mais de 35 Anos, Revela Estudo Inédito

Um estudo recente revelou que um terço (34%) das mulheres americanas com 35 anos ou mais enfrenta dificuldades significativas em identificar sua fase reprodutiva, um dado alarmante que ressalta a falta de informação no campo da saúde feminina. Com mais de 7.600 participantes, essa pesquisa se destaca como a maior já realizada sobre a perimenopausa, coletando informações cruciais para mapear a incerteza em torno dessa fase da vida e suas causas.

A variabilidade da incerteza está profundamente ligada à faixa etária: 42% das mulheres entre 40 e 44 anos relataram confusão sobre sua condição, enquanto 37% das mulheres com sintomas graves disseram o mesmo. A confusão entre sintomas e a dificuldade em atribuí-los adequadamente a condições específicas são os principais responsáveis por 56% dos casos relatados, refletindo a complexidade em diferenciar a perimenopausa de outras questões de saúde. Além disso, 28% das participantes indicaram lacunas de conhecimento e a busca ativa por informações, enquanto 16% mencionaram barreiras no acesso a cuidados, incluindo a relutância de profissionais de saúde em reconhecer a fase da perimenopausa.

Fabiane Berta, ginecologista e pesquisadora, destacou que muitas mulheres confundem os sintomas da perimenopausa com outras condições, o que não surpreende a especialista. Ela observa que frequentemente as pacientes relatam insônia, irritabilidade e outros sintomas, sem perceberem que estão relacionados à fase reprodutiva que estão atravessando, levando-as a buscar diagnósticos em especialistas sem jamais chegar a uma conclusão clara.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 2 milhões de mulheres entram na perimenopausa a cada ano, passando por um período de transição que pode durar de quatro a oito anos. Durante esse tempo, entre 59% e 65% dessas mulheres experimentam ondas de calor, além de alterações emocionais e urogenitais que podem impactar seu dia a dia e produtividade no trabalho.

O diagnóstico da perimenopausa, segundo Berta, ainda é desafiador, pois não existem exames laboratoriais definitivos que indiquem essa fase. As sobreposições de sintomas com outras condições de saúde muitas vezes alimentam a desinformação, dificultando o entendimento geral sobre o tema.

Diante desses dados, os pesquisadores do estudo sugerem que os profissionais de saúde adotem uma abordagem mais abrangente ao avaliar os sintomas da perimenopausa, permitindo que as alterações cognitivas, emocionais e físicas, que podem surgir antes mesmo da irregularidade menstrual, sejam vistas como indicadores relevantes.

Berta reforça que a irregularidade menstrual não deve continuar como o único sinal reconhecido pela medicina, destacando que muitas pacientes são descreditadas quando relatam seus sintomas, mesmo antes de suas menstruações se tornarem irregulares. Essa realidade se torna ainda mais preocupante em regiões como o Brasil, onde não se tem dados claros sobre quantas mulheres estão passando pela perimenopausa.

O movimento MyPausa, liderado por Berta, busca trazer essa questão à tona, propondo o primeiro registro nacional sobre a menopausa e perimenopausa no Brasil. Segundo a pesquisadora, é essencial compreender que a perimenopausa se manifesta de maneiras distintas dependendo da região, cultura e etnia, e que, portanto, é fundamental adaptar o conhecimento científico ao contexto brasileiro. Ela conclui enfatizando que, sem uma medição precisa, fica impossível dimensionar o problema e exigir respostas adequadas do sistema de saúde, uma lacuna que o MyPausa almeja preencher.

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