Pesquisas recentes indicam uma elevada taxa de voto em branco ou nulo, que chega a 21%, e um apelo alarmante: 49,61% dos entrevistados afirmam não conhecer suficientemente os candidatos. Além disso, 17,58% dos eleitores reconhecem que, mesmo conhecendo todos os nomes, ainda não se sentiram convencidos por nenhum deles. Por outro lado, cerca de 5% afirmam que suas preocupações econômicas os impedem de decidir.
Enzo Elguera, diretor da consultoria Imasolu, destaca um clima de cansaço e desconfiança entre os eleitores, que em grande parte não acreditam nos políticos independentemente de suas bandeiras. Essa apatia pode levar a um desvio de votos para candidatos menos populares, que sejam percebidos como mais honestos ou sinceros. A fragmentação do eleitorado, portanto, pode ser uma consequência direta desse descontentamento generalizado.
Os debates oficiais entre os candidatos, promovidos pelo Instituto Nacional de Rádio e Televisão do Peru, conseguiram atrair a atenção de meio milhão de telespectadores, mas mesmo assim, os favoritos, como Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga, não conseguem ultrapassar a margem de 15 pontos nas intenções de voto. A competição se acirra na camada média, onde cinco candidatos disputam espaço, enquanto um grupo considerável não alcança nem 0,5% das preferências.
José Carlos Requena, cientista político, sugere que muitos indecisos podem acabar optando por um candidato com o qual se sintam minimamente mais confortáveis, mas não por convicção plena. Ele acredita que a escolha pode ser estratégica, visando apoiar ou barrar determinados candidatos em um possível segundo turno.
Outro desafio se apresenta na forma da cédula eleitoral. O novo formato, em decorrência do retorno ao sistema bicameral, traz um extenso leque de opções que pode confundir muitos eleitores. Essa “monstruosidade” de cédula, como descreveu Elguera, contém cinco colunas que precisam ser completadas, multiplicando o trabalho de escolha.
Esse fenômeno tende a favorecer candidatos cujos partidos já possuem um logotipo familiar ao eleitor, como é o caso de Keiko Fujimori. A influência da imagem dos candidatos e dos partidos pode levar a uma priorização do voto presidencial em detrimento do legislativo, o que poderá resultar em uma alta taxa de voto nulo ou em branco para o Congresso.
Se essa tendência continuar, poderá agravar a crise de legitimidade que o Peru enfrenta desde 2016. Um próximo Congresso eleito de maneira irreflexiva pode não apenas prejudicar a governabilidade, mas também acentuar a desilusão da população com o sistema político, que já se encontra debilitado. As eleições se aproximam e a forma como os peruanos se posicionarão pode definir o futuro da política no país.





