De acordo com análises recentes, os primeiros meses da temporada de incêndios foram devastadores, com quase 500 mil hectares queimados nos cinco países da zona euro mais afetados: Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Romênia. O custo estimado para a recuperação dessas áreas destruidas atinge € 3,1 bilhões (cerca de R$ 18,1 bilhões). A metodologia utilizada leva em consideração não apenas a recuperação da vegetação, mas também os danos causados à infraestrutura e à economia local. É importante destacar que os especialistas alertam que os prejuízos reais podem ser ainda mais elevados, uma vez que as seguradoras e os proprietários, bem como os setores do turismo, continuam a avaliar os danos decorrentes da tragédia.
A seca também agrava o quadro, com níveis baixos de água nos rios Reno e Danúbio interferindo no transporte de mercadorias e afetando a produção industrial. Indústrias químicas na Alemanha, como BASF e Covestro, já estão sentindo os efeitos, assim como usinas nucleares na Hungria e na Romênia, que dependem do volume de água para o resfriamento.
Na Grécia, o governo se apressa em contabilizar os danos causados pelos incêndios, com estudos mostrando que o impacto econômico pode ser três vezes superior à média anual de perdas do PIB nas economias mediterrânicas entre 2011 e 2018. Se o fogo atingir áreas urbanas, as consequências poderão ser ainda mais severas.
Um exemplo eloquente dessa crise é a região de Gironde, na França, conhecida por seu papel no setor aeroespacial. Empresas como Safran e Dassault Aviation foram forçadas a suspender as operações e evacuar trabalhadores. Embora o setor vitivinícola de Bordeaux não tenha sido diretamente atingido, os temores em relação à contaminação da colheita e os impactos no turismo — que representa 7% do PIB local — são palpáveis. A Câmara de Comércio de Gironde estima que cerca de 40 mil empresas da região foram afetadas, com muitas delas encerrando atividades até o final de julho e milhares de trabalhadores enfrentando regime de trabalho reduzido subsidiano pelo governo.
Na Espanha, incêndios próximos a Madrid resultaram na perda de cerca de 18.500 hectares de terras agrícolas, trazendo preocupações sobre a segurança alimentar, apesar do impacto limitado no PIB nacional. Economistas apontam que muitos custos associados a essa crise permanecem invisíveis, como internações hospitalares decorrentes da poluição do ar, e alertam sobre o crescimento ilusório gerado pela recuperação financiada por seguros e assistência governamental.
A gravidade da situação impõe um desafio urgente aos governos e à sociedade civil, no sentido de criar estratégias eficazes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e proteger as economias locais.





