Incêndio em cozinha do Edifício Touring gera mobilização e aprendizado para equipe; gerente evita prejuízos e resgata equipamentos avaliados em R$ 50 mil.

Na madrugada de sábado, pouco após o Corpo de Bombeiros controlar um incêndio em uma das cozinhas externas do Edifício Touring, localizado na Praça Mauá, Zona Portuária do Rio de Janeiro, o ambiente logo se transformou em um canteiro de obras dedicado à recuperação. À frente da operação estava Antonio Rodrigues, gerente do espaço e proprietário da renomada rede de bares Belmonte, que chegou ao local por volta da 1h. Determinado a evitar o desperdício e garantir o funcionamento do complexo gastronômico, ele organizou um verdadeiro mutirão.

O incêndio, causado pelo superaquecimento de uma fritadeira elétrica, acarretou danos significativos, incluindo a destruição de equipamentos valiosos. No entanto, a situação poderia ter sido ainda mais grave não fosse a atuação rápida de Rodrigues. Ao notar que itens essenciais, como cerca de 20 panelas Le Creuset — avaliadas em R$ 1.600 cada — estavam sendo descartados, ele imediatamente tomou providências para preservar esses materiais.

“Ali tinha R$ 50 mil só de panela Le Creuset que iam jogar fora, além das louças da Corona. Já havia moradores de rua tentando pegar as panelas, mas eu não deixei. Peguei tudo e deixei de molho por cinco horas para remover a fuligem. Achavam que estavam destruídas, mas estavam apenas sujas de fumaça”, relatou Rodrigues, em uma demonstração de compromisso com o patrimônio do local.

Para ele, o incidente também serviu como uma oportunidade de aprendizado para seus funcionários, a quem se refere afetuosamente como “meninos”. Com uma trajetória humilde, que começou lavando pratos aos 16 anos, Rodrigues decidiu se juntar ao esforço coletivo de limpeza, uma experiência que considera fundamental. “Eu e os meninos lavamos mais de mil peças de louça, tudo manualmente. A técnica é usar um detergente neutro de qualidade, deixar de molho e esfregar com a parte macia da esponja”, explicou.

Rodrigues dedicou quase 24 horas ao trabalho incessante, do início da madrugada até a meia-noite do dia seguinte. Questionado sobre o cansaço, ele foi direto: “Vou fazer 60 anos, mas me sinto um garoto. Para mim, isso é trabalho, e só fico bem se estou em atividade.”

Ainda que o incêndio tenha causado perdas materiais, a estrutura do prédio histórico permaneceu intacta. Os cinco restaurantes do complexo operaram normalmente durante o fim de semana, sob a vigilância atenta de Rodrigues, que garantiu que tudo seguisse conforme o planejado. A dedicação do empresário reflete não apenas sua ligação com o espaço, mas também um profundo compromisso com sua equipe e clientes.

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