Inca Atualiza Diretrizes para Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho e Expande Lista para 50 Tipos de Câncer em 2026

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), aliado ao Ministério da Saúde, apresentou recentemente as Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, em uma versão atualizada para 2026. O lançamento ocorreu durante o Seminário Nacional sobre Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). As novas diretrizes marcam um importante avanço em relação à versão original de 2012, que necessitava de revisão após a inclusão de novos dados científicos.

A atualização é especialmente significativa, pois amplia o número de tipos de câncer reconhecidos como relacionados a ambientes de trabalho. Enquanto a versão anterior contemplava 19 tipos, a nova lista inclui 50, abrangendo agentes químicos, físicos e biológicos que foram recentemente classificados como cancerígenos. A inclusão de ocupações como bombeiros e trabalhadores noturnos reflete as análises mais abrangentes que foram realizadas.

Ubirani Otero, epidemiologista e gerente substituta da Área Técnica Ambiente, Trabalho e Câncer do Inca, destacou a importância de revisitar a lista nacional de doenças relacionadas ao trabalho, que também foi atualizada. O trabalho noturno, por exemplo, é associado a um maior risco de desenvolver câncer de mama, próstata e retal. A versão nova das diretrizes não apenas evita a invisibilidade do câncer relacionado ao trabalho, mas também proporciona uma ferramenta prática que pode ser utilizada na rotina dos profissionais de saúde.

Um dos principais objetivos é permitir que os profissionais identifiquem os tipos de câncer aos quais os trabalhadores estão expostos, utilizando a anamnese ocupacional. Essa abordagem prática facilita a notificação e a vigilância dos casos de câncer relacionados ao trabalho. As diretrizes foram simplificadas, reduzindo de dez para oito capítulos, de modo a torná-las mais acessíveis e integradas com exemplos práticos e estudos de caso.

Além disso, Ubirani destacou que a nova versão será um suporte essencial na formulação de políticas públicas mais eficazes. O reconhecimento de cânceres em determinada região pode desencadear investigações sobre os agentes aos quais os trabalhadores foram expostos, identificando assim fatores de risco e estabelecendo medidas preventivas.

As diretrizes também estão alinhadas às recomendações da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, vinculada à Organização Mundial de Saúde, evidenciando um compromisso com a melhoria contínua na vigilância de casos de câncer. Com essa nova versão, Otero acredita que a comunidade de saúde terá um recurso valioso para identificar e combater os riscos associados a diversas ocupações, contribuindo para uma saúde ocupacional mais robusta e proativa.

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