Almendra esclarece que o atual ecossistema das inteligências artificiais ainda está longe de oferecer uma rentabilidade que corresponda ao montante de investimentos injetados. Para se sustentar no curto prazo, esse setor depende de um fluxo constante de capital que ajuda a cobrir prejuízos operacionais e a financiar a expansão de infraestrutura essencial, como data centers e poder computacional. Essa dependência levanta questões sérias sobre a viabilidade a longo prazo das empresas que ainda lutam para encontrar um modelo econômico sustentável.
No contexto das tensões no Oriente Médio, especialmente entre países do Golfo, onde há grandes excedentes comerciais provenientes da exportação de petróleo, Almendra alerta para um possível efeito dominó. As nações deste regiões, com suas economias robustas, historicamente sustentaram o crescimento de empresas nascentes em tecnologia que ainda não conseguiram consolidar lucros. Contudo, em um cenário de guerra, há o risco de que governos e fundos soberanos optem por liquidar ativos, buscando recuperar perdas, o que afetaria diretamente os investimentos em inovação e desenvolvimento em IA.
Além disso, ao serem questionadas sobre a influência das grandes companhias de tecnologia em possíveis soluções para a crise, Almendra ressalta a intricada relação entre essas empresas e o aparato militar estadunidense. Ele argumenta que a conexão entre as big techs e a “máquina de guerra” dos Estados Unidos complica o debate, insinuando que essas corporações não podem ser vistas como entidades à parte. De acordo com Almendra, é crucial compreender que esta é, em parte, “uma guerra das big techs”, refletindo interesses que vão além do ativismo social, mas que tangenciam a segurança e a política global.
Esse enraizamento entre tecnologia e política não só revela a fragilidade do setor de inteligência artificial em tempos de crise, mas também expõe vulnerabilidades que podem ser aproveitadas em um cenário de incertezas geopolíticas.





