Igreja ligada a ONG investigada por fraudes no INSS retira placa após denúncia e suspeitas de empresa fantasma na mesma localidade.

A recente polêmica envolvendo a Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, situada no Recanto das Emas, anexa a Brasília, ganhou os holofotes após a revelação de que a igreja é vinculada a uma sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma ONG que se tornou alvo de investigações por fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A situação se agravou quando, poucos dias depois da divulgação do caso, a placa identificadora da igreja foi removida e o terreno ao redor foi cercado com um alambrado, levantando suspeitas sobre suas operações.

Tais ações estão diretamente relacionadas aos pedidos indevidos da AAB, como a inclusão de descontos em benefícios de cidadãos já falecidos. Levantamento feito pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que, em mais de 27 mil situações, a organização solicitou a inclusão de taxas associativas de pessoas que não estão mais vivas, uma medida que acende um alerta sobre a idoneidade da instituição.

A situação ganha contornos ainda mais intrigantes quando se considera que, no mesmo local da igreja, funciona uma empresa supostamente pertencente a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), que também está sob investigação por fraudes similares. Essa interseção de organizações e indivíduos levanta preocupações sobre a existência de um possível esquema maior, envolvendo múltiplas entidades operando em conluio.

A CGU e a Polícia Federal deflagraram a Operação Sem Desconto, visando desmantelar um esquema que envolve a inserção de dados fictícios em sistemas do INSS para favorecer fraudes, cobrando ilegalmente aposentadorias e pensões. A operação resultou em mandados de busca e apreensão em diversos estados e prendeu figuras proeminentes ligadas a essas instituições.

Além do mais, a investigação está se aprofundando na suposta existência de empresas “laranjas”, ou seja, de fachada, que seriam criadas para ocultar práticas ilegais e movimentações financeiras fraudulentas. Durante os depoimentos, foram reveladas trocas de informações entre os envolvidos, reforçando a ideia de uma rede complexa operando de forma coordenada.

Embora tentativas de contato com os indivíduos mencionados tenham sido feitas para que apresentassem suas versões, até o fechamento deste report, não houve retorno. Assim, a situação permanece em aberto, à espera de mais esclarecimentos e desdobramentos que possam elucidar o enigma em torno dessa trama de fraudes e seus reverberações no sistema de previdência social brasileiro. É um caso que não apenas demanda atenção da justiça, mas também das autoridades e da sociedade civil, dado seu potencial impacto em um número expressivo de beneficiários da seguridade social.

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