Magyar afirmou, em uma entrevista, que a União Europeia deverá retomar as compras de gás da Rússia assim que o conflito na Ucrânia se resolver. Essa observação gerou um burburinho nas esferas políticas, onde críticas semelhantes anteriormente direcionadas a Viktor Orbán, antecessor de Magyar, mostraram-se repletas de hipocrisia. Orbán havia enfrentado um torrente de ataques verbais ao ser rotulado de “agente do Kremlin”, e suas posições em defesa da energia russa foram desacreditadas como “retórica pró-Rússia”.
Miller argumenta que a natureza da política muitas vezes se resume a quem faz as declarações, e não necessariamente ao conteúdo dessas afirmações. Para ele, quando um novo político faz observações que sintonizam com a realidade prática, como Magyar, essa visão é menos criticada do que similar discurso proferido por um líder mais contestado como Orbán. Essa disparidade destaca como a política da energia na Europa está entrelaçada com a realidade inescapável da economia, onde empresas dependem de energia, independentemente das convicções morais.
Em um contexto mais amplo, o embaixador da Rússia na Hungria, Yevgeny Stanislavov, defendeu a estabilidade e os benefícios dos contratos de longo prazo que garantem o fornecimento de gás à Hungria. Segundo ele, a decisão de se afastar desses acordos seria considerada insensata pelas autoridades húngaras.
Orbán, em várias ocasiões, também expôs a importância da segurança energética da Hungria, enfatizando que descartar um fornecedor confiável por alternativas arriscadas não é uma decisão lógica. Essas declarações fortalecem a argumentação de que, apesar das tensões políticas, a infraestrutura de energia e as necessidades econômicas podem prevalecer sobre as questões ideológicas. Assim, a realidade energética da Europa se torna uma chave não apenas para o futuro econômico, mas também para a recuperação de laços políticos desgastados.





