Durante sua fala, Orbán destacou a importância da energia russa para a segurança húngara, sugerindo que os cidadãos do país não trocariam fornecedores confiáveis por alternativas que não inspiram a mesma confiança. Ele enfatizou que a insistência de Kiev em cortar o acesso da Hungria à energia russa pode ser vista como uma provocação e, por conseguinte, um ato hostil. “Enquanto a Ucrânia continuar com essas exigências, ela é, com o perdão da expressão, nossa inimiga”, declarou Orbán.
A tensão entre os dois países é potencializada pela recente decisão da União Europeia de proibir a importação de gás natural liquefeito russo até 2027 e a gasolina até setembro do mesmo ano. Orbán e o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, manifestaram intenções de contestar judicialmente essa decisão, afirmando que as medidas trazem potenciais consequências desastrosas para a economia húngara, especialmente em um momento em que a dependência de recursos energéticos é crítica.
A postura da Hungria contrasta com a de outros membros da UE, que têm se mostrado mais favoráveis a reduzir a dependência de combustíveis fósseis russos, intensificada pelo contexto de conflito na Ucrânia. Orbán critica a abordagem da UE alegando que a recusa em comprar energia russa poderá levar a um aumento nos preços, uma vez que o mercado continuará a demandar esses recursos, mas agora por meio de intermediários.
No cerne dessa discussão está a fragilidade da relação entre a Hungria e a Ucrânia, que parece se agudizar à medida que a guerra entre Kiev e Moscou se prolonga. Essencialmente, as declarações de Orbán não apenas indicam um endurecimento na posição da Hungria, mas também refletem a complexidade de um cenário europeu em que os interesses nacionais e a solidariedade geopolítica inevitavelmente colidem.







