Em seu discurso inaugural, Motta tentou se apropriar de um discurso em defesa da democracia, evocando a emblemática figura de Ulysses Guimarães durante a promulgação da Constituição de 1988. Afirmou que o povo brasileiro busca progresso e emprego, não conflitos, e enfatizou a necessidade de união entre os poderes, afirmando que a democracia deve ser preservada a todo custo. Suas palavras, no entanto, soaram como promessas etéreas em um cenário de incerteza.
A realidade se tornou mais complexa para Hugo Motta ao longo do ano. Um revés significativo ocorreu quando o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, anulou uma sessão sob sua presidência que decidiu manter o mandato da deputada Carla Zambelli. Moraes decretou o ato como nulo, citando inconstitucionalidades e desrespeitos fundamentais à legalidade e à moralidade pública. Essa situação trouxe vergonha para Motta, que desprezou a decisão do Supremo e se viu pressionado a executar as determinações da alta corte. Carla Zambelli, condenada em duas ocasiões pelo STF, agora se encontra presa na Itália, e sua situação carece de resolução com a possibilidade de extradição.
Agora, Hugo Motta se encontra em um dilema: ele terá 48 horas para empossar o suplente de Zambelli, mas o medo de desafiar novamente o STF paira sobre sua gestão. A história de sua família é marcada por impunidade, mas será que ele poderá escapar dessa situação? Por ora, Motta se estabeleceu como um presidente da Câmara com sérias dificuldades, questionando não apenas sua capacidade de liderança, mas também a sua integridade e compromisso com a democracia que tanto defendeu em suas falas. A dúvida que permanece é qual será o próximo passo de uma liderança que se vê entre a cruz e a espada em um ambiente político tão volátil.







