Engelhorn, uma vienense de 31 anos, tem travado uma batalha há anos em prol da redistribuição da riqueza herdada e da diminuição da desigualdade econômica. Ela acredita que, sem mudanças nas leis tributárias, a melhor maneira de decidir o destino do seu dinheiro é recorrer ao público.
Os 10 mil austríacos que receberão os convites serão reduzidos a um grupo de 50 pessoas, refletindo a população do país em termos de sexo, idade e rendimento. Este grupo, denominado “Guter Rat” (ou bom conselho em português), se reunirá em Salzburgo durante seis fins de semana este ano, para discutir a melhor forma de utilizar os fundos.
“A redistribuição deve ser um processo que vai além de mim”, afirmou Engelhorn em um comunicado publicado no site do projeto.
A herança de Engelhorn tem origem no fundador da BASF, uma das maiores empresas químicas do mundo. Antes do início do projeto, ela já havia se comprometido a doar pelo menos 90% da sua herança multimilionária. Essa atitude faz parte de um movimento de super-ricos que buscam não apenas redistribuir seu dinheiro, mas desafiar as estruturas que permitiram a acumulação de suas fortunas. A Áustria aboliu seu imposto sobre heranças em 2008.
O projeto, intitulado Guter Rat für Rückverteilung, enviou convites por correio a 10 mil pessoas na Áustria, escolhidas aleatoriamente a partir de uma base de dados nacional. Os participantes terão entre março e junho para debater e ouvir especialistas sobre questões como distribuição de riqueza e financiamento de organizações não governamentais.
Os membros do Guter Rat receberão €1,2 mil por cada fim de semana e terão cobertos os custos de hotéis, refeições, viagens, creches e intérpretes. O dinheiro tem limitações sobre como pode ser gasto e, caso o grupo não encontre uma forma adequada de utilizar os fundos, o montante será devolvido à herdeira.
Após a formação do Guter Rat, Engelhorn se retirará do projeto e renunciará a toda autoridade de tomada de decisão. Ela se reserva o direito de continuar comentando sobre tópicos de redistribuição de riqueza, mas o Conselho será responsável por decidir o destino dos 25 milhões de euros.
