Hepatites Virais: Desafio Silencioso Aumenta Risco de Complicações e Mortes no Brasil, Alertam Especialistas Durante o Julho Amarelo.

As hepatites virais, foco da campanha Julho Amarelo, representam um grave desafio de saúde pública no Brasil, onde muitas vezes a doença avança silenciosamente. Dados recentes apontam que, entre 2000 e 2024, o país registrou cerca de 826.292 casos confirmados de hepatites virais. Dentre esses, as hepatites B e C são as mais prevalentes, contabilizando 342.328 e 302.351 registros, respectivamente. Durante esse mesmo período, foram documentados 49.999 óbitos por causas diretas e 45.959 por causas associadas às hepatites A, B, C e D. Alarmantemente, a hepatite C foi responsável por 75,3% dessas mortes.

O diagnóstico e a adesão ao tratamento dessas condições permanecem preocupantes. Dados de 2024 mostram que, das 115,3 mil pessoas indicadas para tratamento da hepatite B, apenas 58,8 mil iniciaram o acompanhamento e, alarmantes 14,8 mil interromperam o tratamento. A hepatologista Nayana Vaz, do Hospital Mater Dei Salvador, destaca que essa descontinuação do tratamento aumenta significativamente o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. Seu alerta é claro: muitos convivem anos com hepatites B e C sem saber, e quando os sintomas surgem, o fígado já pode estar severamente comprometido.

O diagnóstico das hepatites é simples e pode ser realizado através de testes rápidos ou exames laboratoriais. No caso da hepatite C, um teste inicial pode detectar anticorpos contra o vírus. Contudo, 80% das pessoas afetadas não apresentam sintomas, o que torna a testagem fundamental, mesmo em indivíduos que se sentem saudáveis. Quando presentes, os sintomas podem incluir cansaço extremo, febre, dores abdominais e alterações na coloração da urina e fezes.

Globalmente, as hepatites virais são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes anuais. Para a hepatite C, a cura é alcançada em mais de 95% dos casos tratados com medicamentos antivirais. Por outro lado, a hepatite B, apesar de não ter cura, pode ser controlada, reduzindo o risco de complicações graves. A prevenção, que inclui vacinação e práticas seguras, é essencial para combater a disseminação dessas doenças, uma vez que a hepatite B é transmitida pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes.

A mensagem do Julho Amarelo é clara e orientadora: a testagem é a chave para o tratamento e a prevenção de complicações. É imprescindível que a população busque a informação e realize o teste, agindo antes que os sintomas apareçam. A conscientização e a educação são passos fundamentais para enfrentar e controlar as hepatites virais no Brasil.

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