Helicóptero de suposto membro do PCC pousa no Palácio dos Bandeirantes com autorização questionável em menos de seis horas; investigados incluem deputado e ex-assessor.

Uma investigação que explora a conexão entre autoridades políticas e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) revelou detalhes alarmantes sobre uma autorização para pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, ocorrido em março de 2022. Mensagens obtidas durante a apuração indicam que a negociação para que Thiago Rocha, suplente de deputado federal pelo PSD, garantisse o pouso ao empresário João Gabriel de Mello Yamawaki, identificado como operador do PCC, levou menos de seis horas e incluiu pedidos financeiros.

No dia 10 de março de 2022, menos de uma hora após o primeiro contato, Thiago solicitou que fossem transferidos dois mil reais, evidenciando a urgência e o caráter ilícito da transação. O pouso, que teve como finalidade assistir a um jogo de futebol entre São Paulo e Palmeiras, recebeu autorização oficial por meio de um e-mail do Núcleo de Aviação da Casa Militar, o que chamou a atenção das autoridades devido à velocidade com a qual o processo foi conduzido.

A investigação destaca que Thiago tinha contatos no círculo político que podem ter facilitado o uso das dependências do Palácio. Entre os nomes mencionados, está o de Adriano Guimarães Simões, ex-assessor do secretário de Desenvolvimento Regional na gestão de João Doria, cuja presença no celular de Rocha levantou suspeitas sobre uma possível articulação. Embora não se tenha podido confirmar que Adriano tivesse feito o pedido diretamente ao secretário Marco Vinholi, o fato de o ex-assessor ter um contato salvo como “Adriano Deputado Vinholi” sugere uma relação mais profunda, levando a crer que ele poderia estar envolvido na facilitação da autorização.

A investigação enfatiza a gravidade da situação, questionando a integridade dos processos que permitem o pouso de aeronaves em áreas de alta segurança como o Palácio dos Bandeirantes. A falta de diligência em verificar a identidade dos passageiros, que incluiriam uma suposta “delegação do Japão”, é preocupante. O documento policial ressalta a possibilidade de conivência de servidores públicos no processo.

Recentemente, a administração de Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, afirmou que não reconhece qualquer relação com o caso e que não houve, sob sua gestão, qualquer autorização para pouso da aeronave vinculada a João Gabriel. Da mesma forma, Adriano se defendeu, negando sua participação e alegando que sua ex-oneração como assessor em 2021 destoa das acusações atuais.

Nesse ambiente de incertezas e desconfianças, a investigação promete trazer à tona mais revelações sobre a possível interseção entre a política e atividades criminosas. As respostas a estas questões podem escancarar um escândalo que afeta não apenas os envolvidos, mas a confiança da população nas instituições públicas.

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